Portuguesiño… Como???

A imagem dos hábitos e práticas de brasileiros no cotidiano, difundida entre os latino-americanos em campanha para a Copa do Mundo, demonstra desconhecimento por parte dos hermanos além-fronteiras, ou, no mínimo, uma percepção distorcida da realidade daqui a se considerar o repertório dos publicitários que criam anúncios para a Coca-Cola de lá.

A série imagina situações como se os nativos usassem e abusassem de expressões no diminutivo no dia-a-dia (parece que confundiram com o jeito luso de ser, embora a familiaridade, nesse caso, seja só na proximidade do idioma); insinuam que os marmanjos daqui usem sungas de gosto duvidoso, embora nem na cena demonstrada do filme algo no gênero seja apresentada (ou seria uma infeliz referência aos biquínis fio dental femininos?); e ainda amplificam a malandragem de se simular uma recepção ruim do sinal no celular quando o chefe chama, como se isso fosse característica apenas daqui…

O brasileiro tem manias. Oras, lógico que tem. Como qualquer outro povo. Mas poderiam ter escolhido melhor, se queriam fazer graça com as características típicas daqui. Na campanha intitulada Portuguesiño, as cenas relacionadas ao deixam a desejar. Os comerciais buscam incentivar o torcedor a acompanhar o campeonato mundial argumentando que ele já sabe falar a língua nativa, que seria o famoso portunhol, com mistura de palavras em espanhol e em português, porém sempre abusando do diminutivo.

Para viralizar essa brincadeira e, por tabela, difundir os hábitos brasilenhos, estimulam o uso da hashtag “#portuguesiño”, para que o internauta concorra a sorteios de ingressos para os jogos. Quem ganhar e reproduzir as gracinhas por aqui corre o sério risco de pagar mico.

O balé das marcas em busca de gol

É tempo de o cotidiano ser invadido por comerciais em ritmo grandiloquente para enaltecer o espetáculo proporcionado por 22 marmanjos correndo atrás de uma bola. Sim, sei, os bem sucedidos na tarefa ganham milhões no período fértil de disputa. Claro que não sou insensível e reconheço beleza e talento naquele balé de pernas. Mas que vai cansar o excesso de apelos com referências à Copa do Mundo, ah isso vai. Seja de forma direta ou indireta ao megaevento entre os que não são patrocinadores oficiais, toda marca quer tirar sua lasquinha desse momento “prá frente Brasil”. Então, haja publicidade recheada com apelos emotivos, além, lógico, da infinidade de clichês habituais sobre o tema.

Deixando de lado as campanhas menos originais, que já há algumas semanas martelam a preferência nacional pelas chuteiras, duas marcas globais de refrigerante entram em campo em busca de um golaço. De um lado, a detentora dos direitos da FIFA de anunciar, a Coca-Cola humanizou sua mensagem publicitária, produzindo um comercial com a história real de quatro times amadores dos cafundós do mundão, que ganharam uma vinda ao Rio de Janeiro para carregar a bandeira dos times no jogo Alemanha versus Portugal, em 16 de junho.

De outro, a Pepsi, que não pode fazer referência à Copa ou qualquer símbolo do evento, fez um delicioso comercial rodado na paisagem carioca em que mostra Stony, figura festejado no âmbito da musica digital, arrancado som de vários objetos morro abaixo enquanto cruza com craques como Lionel Messi, Robin van Persie, David Luiz, Sergio Ramos e Sergio Aguero. Ninguém falou em Copa, mas precisava? Para completar o clima alto astral, apoia-se na música Heroes, clássico de David Bowie e na bela voz de Janelle Monáe, que também aparece no filme. Um gol de placa. Criado pela agência 180 de Los Angeles, tem por tema “O agora é você que faz”, o que pode até soar irônico, afinal “agora” o que está se fazendo é a Copa do Mundo, não é mesmmo?

O objetivo da concorrente Coca é convidar o mundo a celebrar o futebol dando uma força ao social. Bonito. Da safra do escritório da badalada agência butique Wieden+Kennedy, o comercial enaltece a paixão pelo bola que não enfraquece nem mesmo sob condições precárias para uma pelada. Recebeu a emotiva assinatura: “One World, One Game”. Os times escolhidos para vir ao Brasil são da Palestina, no conflituoso Oriente Médio; de uma região do Japão atingida por tsunami; do Leste Europeu; e de uma comunidade perdida na Amazônia. Ninguém fala a mesma língua, mas todos chutam a gol.

As campanhas tem se esmerado em aproveitar os atletas em especial as que não compraram as milionárias cotas da FIFA. Esse jogadores, disputados a peso de ouro para se exibirem fora do campo nos intervalos comerciais, aproveitam para engordar ainda mais os seus cofrinhos. Não me espanta se na próxima rodada do campeonato cláusulas draconianas os impeçam de vender seus corpinhos para a propaganda. O futebol mobiliza milhões e faz as marcas se digladiarem para reter a atenção dos consumidores, além de alimentar fortunas de uma infinidade de parasitas que vivem no entorno do esporte. Nessa temporada, a sorte está lançada e os atletas estão faturando, afinal, pelo menos, eles suam as camisas em campo.

No Brasil, só o fusca salva os anos 70

Comercial eficaz é aquele que, em 30 segundos, passa uma boa mensagem. No Brasil, lógico. Há países em que a propaganda televisiva pode chegar a um minuto e meio. Curiosamente hoje, 31 de março – data dos 50 anos do golpe militar que encerrou o governo do presidente João Goulart impondo ao País uma ditatura que duraria até 1985 -, o SBT anunciou o comercial “Brasil 70” como vencedor do festival O Melhor Comercial do Brasil, organizado pela própria emissora. É uma simples coincidência. Mas, uma coincidência infeliz. Não pela peça publicitária em si, que é uma boa sacada em 30 segundos, mas pelo memória inevitavelmente nela embutida.

O filme apresenta o modelo 2013 do Fusca, ressaltando a modernidade e, ao mesmo tempo, o legado do carro da Volkswagen através dos tempos. É uma criação da agência de propaganda AlmapBBDO. Produzido na estética da época, o comercial traz várias referências como a música País Tropical, na voz de Wilson Simonal. Brinca com o visual mezzo hippie tão em evidência e, ainda no melhor estilo túnel do tempo, expõe as tecnologias do século XXI, como os faróis de led, diante dos quais um figurante pondera: “Curto muito Led”, em referência à banda Led Zeppelin. Engraçadinho.

Mas festejado ontem, o comercial trouxe à cena a carga da triste lembrança da redentora. Até mesmo Simonal foi vítima dela, ainda que de forma um tanto quanto indireta. Fazia enorme sucesso nos anos de chumbo e, por se declarar “de direita”, acabou suspeito de ter sido informante da ditadura. O cantor morreu depressivo com tais acusações. Chegou a mídia, que atuava sob forte censura do regime militar, indícios de que ele seria um delator. Algo transformado em evidências pelo fato de Simonal ter acionado o extinto Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), insituição com qual se relacionava, para prender por suspeita de roubo seu ex-contador. Queria lhe dar um corretivo. Uma história difícil, complexa e que virou acabou virando um filme Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, com o propósito de resgatar a história do cantor e mostrar que ele não era um espião do Exército.

Pois é, ao ser premiada exatamente no dia 31 de março de 2014, a propaganda do Fusca provocou menos aplausos do que, talvez, poderia.

É impossível não derramar uma lágrima…

Manoela, quatro anos e meio, acordou levemente mal-humorada e disse para a mãe, Gisela Moreira Martins Campolina, que sua perna estava quebrada. Estranhando o comentário, já que a menina não tinha nada visível ou palpável e nem havia tomando qualquer tombo, a mãe acariciou-lhe a cabeça e aconselhou que fosse brincar. Começava ali, faz alguns meses, uma fase dura na vida das duas. Bem dura. A sensação de “perna quebrada” tinha nome: sarcoma de Ewing, um tumor ósseo maligno que atinge principalmente crianças na primeira década de vida. Uma doença com alto risco de metástase e, nesse quadro, chances mais limitadas de sobrevida. Quando Manoela foi diagnosticada, um dos pulmões também estava comprometido.

No vídeo acima, produzido pela agência WMcCann, Manoela havia chegado há menos de um mês para tratamento no Hospital de Câncer de Barretos (HCB), vinda de Belo Horizonte (MG). Tinha ainda seus longos cabeços pretos, como pode ser visto nos créditos finais da filmagem com esse simpático avião da solidariedade, confeccionado em papelão e graça num hangar do velho Aeroporto Chafei Amsei, em Barretos, a 440 km da capital.

A cidade foi escolhida pela mãe de Manoela – agora carequinha, frágil e abatida – para tentar fazê-la superar o pesado tratamento que se dá com remoção cirúrgica, quimioterapia e radioterapia. “Era o único hospital no Brasil que oferecia um tratamento gratuito com médicos intensivistas, o que é essencial, porque o paciente infantil fica muito debilitado”, explica Gisele, sem qualquer expressão no olhar. Eu, engolindo em seco, pergunto sobre as expectativas. Ela se limita a acrescentar: “Larguei tudo em Belô e me mudei para cá. Sempre vivi do meu trabalho como fotógrafa e designer… Então, minha vida parou. Não quero imaginar como seria sem esse hospital”.

Os dramas individuais dos pequenos pacientes do HCB, que agradecem à criação de uma linha aérea para Barretos em mais uma etapa da campanha desenvolvida há quase um ano pela WMcCann, interferiram muito pouco no dia gravação. Eles encararam a tarefa com afinco e até como diversão. Afinal, tudo rolou em clima de brincadeira e deixou-os longe da difícil rotina hospitalar, ainda que por algumas horas.

A dupla de publicitários da agência, Rodrigo Guimarães e Bruno Guimarães Silva, que respondeu pela criação da campanha não esconde que se emocionou. E muito. “Um dia antes, uma equipe treinou as falas com as crianças selecionadas entre as que apresentaram mais condições de colaborar”, conta Rodrigo. “ Chegamos para gravar e eles foram fantásticos! Erraram pouquíssimo, e, por isso mesmo, resolvemos deixar os pequenos deslizes. Foi um dia gratificante. O Ricardo ‘Gordo’ Carvalho (diretor especializado em filmes publicitários com crianças da produtora Conspiração Filmes) ficou tão sensibilizado que disse querer empreender uma ajuda mais efetiva para crianças com câncer”. O HCB atende 300 novos casos de cânceres infantis por ano. No Brasil, eles somam 12 mil.

Voo Barretos Câncer W No último sábado (22/03/2014), Washington Olivetto, chairman da WMcCann e responsável por encampanar a campanha de criação de um voo regular para a cidade de Barretos para atender a demanda de todos pacientes do HCB (além das crianças há adultos), levou o filho Theo para visitar as instalações do hospital. Não é exatamente um passeio agradável, mas o menino de menos de dez anos acompanhou atento e em silêncio.

O lado bom da visita é que o que o diretor-geral do hospital Henrique Prata apresenta é bom de ver. É um Brasil que dá certo. Um hospital oncológico moderno que dispõe do maior banco de células cancerígenas do País. Faz quase quatro mil atendimentos por dia, de gente que vem de 1.541 municípios de 27 estados. Quase a totalidade dos atendimentos é via SUS. O governo entra com R$ 15 milhões por mês. O hospital gasta R$ 23 milhões para manter a sofisticada estrutura com 260 médicos que trabalham em tempo integral, além de mais de três mil colaboradores. A diferença, de R$ 8 milhões para fechar a conta, depende de doações. Prata não tem vergonha de correr atrás. Foi assim que chegou em Olivetto e contou com a contribuição para a campanha pela modernização do aeroporto e autorização para liberação de linha aérea regular no município.

A campanha http://www.voocontraocancer.com.br fez com que mais de 252 mil pessoas reservassem assentos num avião virtual. Ação que causou impacto com milhões de compartilhamentos nas redes sociais. Tanto que o governo federal se comprometeu a investir no abandonado aeroporto de Barretos. E, melhor, a Passaredo Linhas Aéreas, que levou Olivetto e seus convidados para a visita ao HCB, já entregou sua carta de intenção para operar voos regulares para a cidade. A doença é cruel e a solidariedade alivia. Que seja constante.

‘O beijo’ era, na verdade, ‘a farsa’

A onda está crescendo e as farsas estão bombando no marketing das marcas nesse começo de ano. E internauta desavisado, caindo de gaiato. Em preto e branco e somado ao eterno apelo do “primeiro beijo”, tudo no vídeo de pouco mais de quatro minutos, apresentado como sendo um projeto da fotógrafa Tatia Pilieva, soava “profissa” demais para ser espontâneo, como foi a viralizado nas redes sociais. E era mesmo. Na verdade, em vez de primeiro beijo a intenção era vender a coleção de outono da marca Wren de roupas femininas de Los Angeles (EUA).

A tática mais uma vez pegou. Até o momento, em pouco mais de dois dias, somou 26 milhões de visualizações do YouTube. Bom para você, cidadão ludibriado? Não sei. Recentemente houve o selfie dos astros hollywoodianos na entrega do Oscar que não era bem isso, já que alguns – em especial a autora da iniciativa, a comediante Ellen DeGeneres – sabiam que iriam gerar um factoide para divulgar a marca Samsung mundo online afora. Funcionou. E como!

Esses sucessos multiplicados via redes acabam por ganhar espaço também nas mídias tradicionais. Afinal, a foto do selfie foi reproduzida até nos jornais de bairro. Fica assim, inevitavelmente, a pergunta: Até quando vão obter sucesso com essa prática que aposta na imprevisibilidade e mexe com credibilidade das marcas? Porque, mesmo depois das divertidas paródias que surgem sobre essas campanhas, a verdade é que ninguém gosta de ser enganado.

O vídeo sensação First Kiss mostra 20 estranhos formando dez casais que, dizem, não se conhecerem (seriam atores?), e que se beijam em frente às câmeras dentro de um estúdio. As pessoas demonstram certo constrangimento, ao mesmo tempo em que há cenas demoradas que os exibem de corpo inteiro até fechar nos rostos. Tempo suficiente para se apreciar as peças expostas. Na página da empresa, o vídeo é anunciado como um comercial para apresentar a coleção de outono de 2014.

Cheiro de macho na tevê depois de beijo gay

O primeiro beijo gay no sagrado horário nobre da novela merece reverência por promover o avanço da sociedade no respeito às diferenças. Dito isso, vou defender o resgate do “cheiro de macho” que chega ao mercado nacional com a estreia da propaganda de lançamento da marca Old Spice, uma linha de produtos de higiene masculina, do portfólio da gigante Procter & Gamble. Afinal, há que ter colhões para defender um padrão de comportamento tão recriminado pelo politicamente correto. E isso, mesmo considerando que tudo não passa de uma bem-humorada criação sobre os clichês do macho alfa.

Hilária, nonsense e muito bem sucedida nos EUA, a série de comerciais – que lá se projetou com a mensagem “The Man Your Man Could Smell Like” – teve uma das maiores repercussões da publicidade mundial, não só pelo processo de criação engajado que inovou a maneira de fazer comerciais na era da internet, mas porque alavancou um rótulo em franca decadência entre os consumidores americanos. Envelhecida e sem capacidade de atrair novos públicos, a marca criada em 1938 perdia mercado ano a ano. Ao recuperar a imagem do homem que cheira feito homem, o comercial caiu no gosto da audiência e a marca voltou à liderança em sua categoria.

Por aqui, a versão nativa traz o desodorante com “partículas de cabra macho” e tem por protagonista o ator Malvino Salvador acendendo velas com lança-chamas. Coisa de maluco, mas que só galã de novela muito macho é capaz de fazer. Nada diferente dos anúncios que catapultaram a marca no mercado americano ao atingir em cheio o gosto popular, onde o também ator Isaiah Mustafa aparece em situações inusitadas enquanto fala sobre o que as mulheres podem esperar se seus homens começarem a usar o Old Spice. As situações são tão absurdas que geraram uma infinidade de paródias e garantiram mais de 60 milhões de visualizações na internet. No meio dos profissionais de propaganda, a série de comerciais ganhou a glória das glórias com os dois troféus Grand Prix no festejado festival de publicidade Cannes Lions.

No Brasil, duas agências, Grey e Wunderman, adaptaram o premiado conceito criado pela agência americana Wieden + Kennedy de Portland, e assinam o comercial que acaba de entrar em cartaz. Agora, é esperar que o comercial com o Malvino Salvador produza o mesmo enfeito obtido lá fora. Tenho dúvidas.

A Procter & Gamble adquiriu a Old Spice em 1990 e manteve a linha de comunicação original baseada em temas náuticos para produtos como cremes de barbear e loção pós-barba. A mudança de linguagem veio apenas em 2010, com o apelo do homem que cheira feito homem para a linha de desodorante, junto com os tais filmes publicitários repletos de nonsense, mas que se tornaram verdadeiros hits na internet.

Como no Brasil está a segunda maior base de seguidores de redes sociais online, a P&G tomou a decisão de manter a mesma irreverência da campanha publicitária que fez a marca líder nos EUA. O desodorante desembarca nas prateleiras dos supermercados em três versões. Com uma centena de produtos no portfólio internacional, que vai de sabonete líquido a barbeador, a linha Old Spice poderá chegar ao País conforme a marca for apresentando resultados e cativando o gosto do brasileiro. Então, quem se anima a incentivar “um homem com cheiro de homem”?

Tombinho? Talvez. Jeitão mesmo de ação promocional

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Foi apenas um mais tombo. Será? Se o primeiro rendeu tanta repercussão, porque não rolar um segundo. E, como havia risco de Jennifer Lawrence não ganhar mais um Oscar (quem levou na categoria em que concorria, a de atriz coadjuvante, foi a queniana Lupita Nyong’o), porque não cair no salto logo na entrada? E, note-se, Jennifer foi estrategicamente fotografada de costas, assim a cena ‘viralizada’ na internet exibia, com garbo, o belíssimo colar avaliado em US$ 2 milhões. Ficção? Pode ser. Mas, com uma audiência de mais de 43 milhões de espectadores só nos EUA, não é de admirar que todas as situações sejam potencializadas em busca de visibilidade. É uma disputa árdua em meio a tanta oferta. Que o digam as afamadas Maison de Haute Couture, que se esmeram em vestir as estrelas em desfile pelo tapete vermelho. Fórmula, aliás, bem manjada e seguida de perto pelas joalherias.

Ninguém questiona que, na entrega do maior prêmio de Hollywood – o Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas –, falte profissionalismo em matéria de marquetices. Merecia holofote o colar assinado por Neil Lane, com diamantes de 100 quilates sobre um vestido Dior, que Jennifer ostentava. Ou não? Assim como as tais pizzas com propaganda da Coca-Cola, que foram oferecidas, em tom de galhofa, pela apresentadora Ellen de DeGeneres à plateia famosa. Cenas reproduzidas à exaustão nos quatro cantos do mundo. E, quem perdeu no caso, foi a Pespi, que pagou pela exclusividade de fazer propaganda na televisão durante a transmissão da entrega do Oscar.

Diante de fatos não há argumentos. O marketing de emboscada dos ágeis relações públicas faturou a edição 2014 e produziu grandes momentos. Usaram como ninguém antes as mídias sociais para ampliar o espectro de visualização de suas marcas. Não adianta apelar. É conversa para boi dormir o fato de a apresentadora da cerimônia usar nos bastidores um aparelho da Apple e não da Samsung. Podia até estar usando mesmo, mas o acontecimento global do evento, o tal superselfie celebridades sugerido por Ellen e perpetuado para a eternidade online pelos longos braços longos do ator Bradley Cooper, foi registrado por um aparelho da Samsung. Sorry periferia. As discussões agora beiram o ridículo.

Juntar numa foto, acidental ou não, figuras como Meryl Streep, Julia Roberts, Brad Pitt, Angelina Jolie, Kevin Spacey e até a garota sensação do momento Jennifer Lawrence, entre outros astros, é impagável. Tirada no meio da apresentação e imediatamente postada no Twitter na conta de Ellen DeGeneres, a foto se transformou na imagem a mais compartilhada da história da rede social, já somando mais de três milhões de compartilhamentos. Quebrou assim o recorde anterior, que era de 810 mil vezes, da foto do presidente Barack Obama e da primeira-dama Michelle se abraçando após a eleição de 2012. A força da foto das celebridades hollywoodianas interrompeu serviço do Twitter por 20 minutos, logo depois de ter sido postada.

selfie celebridades

Pipocam inúmeras notícias em todos os veículos de comunicação do planeta sobre o famoso selfie. E, apesar dos apaixonados defensores da Apple, existe uma realidade que não pode ser deixada de lado: a Samsung vende mais. Globalmente, a empresa comercializou 319,8 milhões smartphones, ou 32% do mercado, em comparação com 153,5 milhões da Apple ou 15,5% do mercado. Os dados são da agência de notícias Reuters.

E, para quem estava vendo o Carnaval passar, o filme mais premiado desta edição do Oscar foi Gravidade, com sete estatuetas, entre as quais a de melhor diretor, para o mexicano Alfonso Cuáron. O prêmio de melhor filme ficou com 12 Anos de Escravidão, do cineasta Steve McQueen. O melhor ator foi para Matthew McConaughey, em Clube de compras Dallas,e a melhor atriz foi Cate Blanchett, por Blue Jasmine.

Faltam ‘africanidades’ no quintal de nossas vidas

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Eles são muitos e bem diferentes entre si. Saíram originalmente da Baía de Benin e da costa do Congo e Angola, áreas onde o tráfico era especialmente ativo. Ali os vencidos eram vendidos pelos próprios pares, os líderes locais, aos comerciantes de seres humanos de países europeus e americanos. A organização social do continente africano identificava seus cidadãos por famílias, clãs, tribos, etnias, dialetos e credos. Aos derrotados, à escravidão. A enorme diversidade do continente sugere uma sociedade bem mais complexa do que aquela a que chamamos “africana”. Mencionar tal cenário condiz com preocupações de estudos sociológicos, e também explica muita coisa. Explica porque, aos olhos da desinformação generalizada sobre a origem dos povos africanos, os negros ficam todos parecidos. Pior. Permite “confusões” entre ladrão e inocente, como a que aconteceu agora com o comerciante Vinícius Romão, que passou 16 dias na cadeia por erro da mulher que foi assaltada “por um negro”. E, vejam, num país chamado Brasil, onde pardos e negros somam quase 60% da população, segundo o censo por raça e cor de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Touché. Somos uma terra multirracial mas ignorante sobre o fato. A falta de conhecimento sobre a cultura africana é generalizada e prejudicial a todos, sejam brancos, amarelos ou negros. E, o que torna tudo péssimo, alimenta o racismo. Nas coisas mais simples, fica evidente a ausência do cultivo às tradições, aos hábitos e às origens desses povos que vieram para cá. O pouco que se sabe está restrito a guetos. Até mesmo em segmentos fáceis de incorporar ao cotidiano da grande maioria, não se encontram referências. Um bom exemplo é a moda. Brasileiro adora moda, se enfeitar e exibir. Mas são raras as butiques que se dediquem a encher as vitrines com a moda africana. Seria um bom começo. Daí a surpresa com a Katuka Africanidades, uma lojinha especializada em peças vindas da África e situada num local emblemático: a Praça de Sé, ao lado da Fundação Pierre Verger no coração de Salvador (BA). Deveriam haver muitas “Katukas” pelo Brasil encantando consumidores e enaltecendo uma cultura que tem tanta confluência com a nossa. Mas são raras as butiques dedicadas ao que vem de Benin, Congo, ou Angola.

A história da loja de artigos africanos começou há pouco mais de cinco anos, quando um paulista ao lado do sócio baiano decidiram criar uma marca que trabalhasse as questões étnica e religiosa tão expressivas na capital baiana. Nasceu assim a Katuka Mercado Negro, dedicada a comercializar tecidos, livros, guias, contas e indumentárias especiais do Candomblé. Como a investida cresceu, surgiu à Katuka Africanidades, essa voltada para moda, arte e a decoração. A Bahia que é o estado de maior população negra no Brasil – 76,6 % da população da Bahia tem origem negra, segundo IBGE – torna natural que ali proliferassem lojas do gênero. Mas não é assim. Mais que isso, quem ainda mais frequenta a loja são os turistas estrangeiros.

Lá mesmo na Bahia assistimos ainda ao triste espetáculo dos cordões de proteção aos foliões, no celebrado circuito Barra-Ondina, composto por negros de todos os matizes, cercando e garantindo “segurança” aos brancos/turistas se divirtam seguindo os trio elétricos sem ser incomodados. Na tentativa de descontruir esse comportamento nefasto, que em São Paulo se repete sem tanta ostentação, já que o Carnaval é menos eletrizante, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad decretou o fim do cordão de isolamento. Os blocos carnavalescos não poderão ter abadás ou cordas que separem o trio elétrico do público. As diretrizes para a folia foram publicadas no Diário Oficial do município com a justificativa de que, por se tratar de ocupação temporária de bens públicos, as manifestações do Carnaval de rua não podem utilizar cordas, correntes, grades e outros meios de “segregação do espaço, que inibam a livre circulação do público”. Uma medida que vai exatamente na contramão da cidade como Salvador, onde, há anos, o Carnaval de rua é segregado por cordas e abadás com aplausos das autoridades. Detalhe: a presidente Dilma Housseff anunciou que irá assistir à festa em Salvador. Talvez lá ela se sinta mais segura.

Cachaça quer ser o Dry Martini dos trópicos

(Foto: Rodrigo Capote)
Os Craques da Cachaça

Qual é tamanho o mercado de cachaça no Brasil? Ninguém sabe. Há apenas estimativas de produção. Seria algo em torno de 100 milhões caixas de nove litros por ano. Para parâmetro de grandeza, a vodca, sobre a qual se tem a impressão de alto consumo entre os jovens, vende seis milhões de caixas de nove litros por ano. O uísque? Cinco milhões. Ou seja, a liderança de bebidas destiladas na terra brasilis é da cachaça e não tem pra mais ninguém. Então, se o volume é sucesso, qual seria o grande problema para a expansão desse negócio? Valorização. Criar qualidade reconhecida interna e externamente. Sofisticar o consumo. Vestir a cachaça para a festa.

Há muita pinga de fundo de quintal feita sem qualquer padrão de higiene ou controle de processos, o que compromete não só a conquista do consumidor mais exigente, como baixa significativamente a lucratividade das empresas que atuam no segmento. Nunca houve empenho em organizar o segmento, que se desenvolveu de forma pulverizada Brasil afora e expandiu por meio de vendas em grandes quantidades a baixo preço. Isso, pelo menos até agora. A Diageo, um dos maiores fabricantes de bebidas destiladas do mundo, comprou, há quase dois anos, a destilaria de aguardente de cana cearense Ypióca, e está aplicando as mesmas táticas de marketing usadas há décadas pela companhia para alçar à liderança global marcas de seu portfólio como as do uísque Johnnie Walker e da vodca Smirnoff.

Não será uma tarefa fácil e nem rápida. Cinco anos, no mínimo, e a projeção do diretor de marketing e vendas da Diageo para Ypióca, Eduardo Bendzius para começar a mudar esse atual cenário. Ele garante que a companhia já investe dez vezes mais em marketing do que a Ypióca gastava antes de ser adquirida. E, vejam, era um das marcas centenárias do setor que sempre teve preocupação com qualidade, distribuição e imagem.

Bendzius sabe que será um duro desafio superar as resistências de um mercado acomodado com a venda de volume. Há que romper com anos de baixo investimento em qualificação da bebida, combater a ampla e desorganizada rede de pequenos produtores em garrafas de plástico comercializadas a R$ 2,00 na beira de estradas, assim impor práticas que valorizam a bebida aos olhos do mercado. A proposta tem sido a de incentivar a cultura de que “branquinha” da preferência nacional está mais do que habilitada a disputar espaço nas melhores mesas do mundo. Em especial, após a longa batalha no âmbito das organizações de comércio para que o destilado de cana seja reconhecido como uma bebida alcoólica tipicamente brasileira. Nos EUA, agora é. E lá está o maior mercado de destilados do mundo.

A Diageo viu potencial nesse mercado e já tinha a marca criada em Nova Friburgo (Rio), a Nêga Fulô. Mas só agora põe dinheiro no processo de construção de imagem para além dos guetos das cachaças artesanais produzidas por apaixonados pela bebida, com padrões elevados de qualidade, mas em pequenas quantidades e sem capital para fazer esse mercado crescer.

Na atual investida para projetar a Ypióca, a companhia convidou profissionais de peso da coquetelaria brasileira para criarem drinks com a Ypióca, assim como oferecer a bebida nos bares e restaurantes em que trabalham até o final mês de julho. Dessa forma aproveitam a onda da Copa do Mundo para também divulgar para os gringos a cachaça. Por isso mesmo, nomearam a ação de Craques da Cachaça. Vão distribuir material e fazer divulgação da iniciativa. Na base,a proposta de tornar a cachaça uma opção natural para drink elaborados. Uma espécie de Dry Martini dos trópicos. O Dry foi popularizado pelo agente 007 nas telas do cinema e tornou o Martini a bebida mais consumida na Itália, seu País de origem.

Onze bartenders (os da foto acima) desenvolveram um drink com cachaça: Aharon Rosa (Esquina Mocotó), Kennedy Nascimento (Epice), Marcelo Serrano (Brasserie Des Arts), Derivan Ferreira (Número), Rafael Mariachi (Anexo São Bento), Laercio Zulu (La Maison Est Tombée), Fabio La Pietra (Sub Astor), Kascão (Boteco Ferraz), Alexandre D´Agostino (SPOT), Leandro Batista (Barnabé) e Jean Ponce (DOM).

Os drinks foram batizados por seus autores como: Jeripitaia, Marinha Cocktail, Brasileirinha, Brasilizar, Cajurita, Sour da Terrinha, Xinga na Pinga, Camisa 10, Ponche Ypióca, Flor de Mandacaru e Cachaça Caramelizada. Vai um gole?

Fátima Bernardes vai vender salsichas

Fátima Bernardes é linda, bem-sucedida e faz sucesso na TV Globo. Foi jornalista. Agora é apresentadora. A vantagem de mudar de posição é ganhar dinheiro. Numa sociedade em que o jornalismo perde espaço e prestígio, ela talvez tenha feito a troca certa. Marília Gabriela fez essa mesma passagem há alguns anos. Hoje vende até imóveis em anúncios impressos em páginas de jornal e revista. Na casa onde Fátima fez carreira, jornalista é proibido de ser garoto-propaganda. Mas não só lá. Qualquer veículo jornalístico sério, comprometido com a veiculação de notícias em qualquer lugar do mundo, nunca autoriza o uso da imagem de seus profissionais na publicidade. O argumento é que afeta a credibilidade do jornalismo, que tem o papel de lidar com informação de interesse público.

Então, entra em cena a inevitável pergunta: Alguém vai acreditar na Fátima Bernardes vendendo salsichas? Não apenas, é bem verdade. Ela vai anunciar também frangos, linguiças e pizzas prontas. Todos produtos do portfólio da indústria de alimentos Seara. Aliás, no discurso em que justifica a mudança de vida no comercial criado pela agência de propaganda W/McCann, ela sugere ao telespectador que faça o mesmo que ela e “experimente mudanças”. No caso, a dela foi deixar a bancada do Jornal Nacional por um programa matutino de entretenimento que leva seu nome.

Antes dessa investida robusta no papel de garota-propaganda, Fátima já tinha sido liberada para fazer merchandising do Banco Itaú no seu programa. A novidade, anunciada em agosto do ano passado, está na coluna do jornalista Lauro Jardim: “A Globo fechou um contrato milionário com o Itaú para que Fátima Bernardes dê dicas de como cuidar do dinheiro e de investimentos em seu programa”. Os apresentadores recebem participação pelas ações de merchandising, mas quem fatura é a emissora. No caso de garoto-propaganda é diferente.

Na imprensa no meio publicitário, pipoca a informação de que foram necessários quatro meses de negociação, inclusive com a cúpula da Globo, para que Fátima fechasse o contrato com a empresa por algo em torno de R$ 5 milhões para uma temporada de comerciais. Como de hábito, nenhuma das partes fala sobre valores abertamente. Fátima será um Tony Ramos de saias, já que ele se tornou o garoto propaganda da Friboi. Detalhe, ambas as empresas – Seara e Friboi – pertencem ao mesmo grupo, o líder global em carnes JBS. Companhia que, por sinal, está demonstrando um apetite ímpar para investir em marketing de celebridades. Afinal, acabam de contratar nada mais, nada menos, do que Roberto Carlos para ajudar Tony Ramos com a marca Friboi.

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