Duplo sentido no anúncio da GM

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Interessada em obter empréstimos do governo, através do BNDES no valor de R$ 420 milhões, a montadora de carros GM teria aproveitado o lançamento do modelo Agile para falar bem do governo. A questão foi levantada por alguns jornais e blogs durante esta semana. Consultados sobre a eficiência dessa ação, alguns publicitários, que preferem o anonimato por trabalham diretamente com o setor automobilístico e não se sentirem confortáveis em comentar o assunto, não veem problema na ação. A montadora não comenta.

Acham que, ao contrário do que alegam os jornalistas, é legítimo o duplo objetivo na campanha da GM. “Ela manda um recado sobre o produto e também é simpática com o governo. É um trabalho de lobby, o que não é ilegal. Cabe ao governo ter bom senso e não se sensibilizar com ações do gênero, para liberar recursos sem os devidos critérios”, dizem eles.

Mais do que isso, eles lembram que GM paga o espaço que ocupa para dar o seu recado. E, como lembram, não é barato. O preço de tabela da Rede Globo para 30 segundos no intervalo do Jornal Nacional custa R$ 381 mil. Pelos cálculos dos publicitários, a campanha da GM não ficou por menos de R$ 15 milhões, mas dependendo do tempo que permanecer em cartaz pode ter chegar a R$ 20 milhões.

Como parâmetro mencionam ainda a recente campanha da companhia da área de mineração Vale que, logo depois de ter sido criticada pelo presidente Lula, veiculou anúncios que, como dizem eles, pareciam ‘brifados’ (termo do meio para definir os termos da mensagem encomendada) pelo presidente”.

No Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) este tipo de demanda tende a não ser acolhido, porque não fere nenhum artigo do código de ética. Não há penalização para tráfego de influência, a não ser que haja denúncia formal. Afinal, a publicidade é a arte de influenciar.

Em relação à interferência direta do governo em ações de marketing da indústria automobilística, há dois casos relativamente recentes. Um deles é o pedido declarado do então presidente Itamar Franco, para o relançamento do fusquinha, coisa que a empresa Volkswagen fez a pedido de governo. O outro atingiu a montadora francesa Peugeot. Foi um pedido do governo Lula para que tirasse do ar uma campanha que se valia de uma declaração infeliz da então ministra do Turismo, Marta Suplicy. Diante do caos aéreo reinante na época, ela recomendou que os passageiros “relaxassem e gozassem”. A Peugeot aproveitou o mote e saiu com um anúncio onde recomendava: “relaxe e compre”.

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