Muito barulho por nada

No começo me surpreendi. Um meio que prima pelo silêncio nas situações pouco amigáveis estava alvoroçado. Prestadores de serviço quase sempre calam e dão razão ao cliente, por medo de perdê-lo. Mas o processo licitatório da Petrobrás, para a escolha das agências propaganda que vão atendê-la nos próximos dois anos (verba de R$ 20 milhões), teve os seus vencedores revelados antes da hora. O vazamento provocou desconforto entre algumas das 18 agências que concorriam. No dia da sessão pública na sede da companhia no Rio, fizeram constar em ata o que consideraram irregular. A Petrobrás, do alto de sua imponência, se limitou a informar que, embora reconhecesse o vazamento, seguiria com o processo.

Muitas queixas ao pé de ouvido e reuniões nervosas dos executivos do setor resultaram em nada. Ou quase nada, a se considerar a nota divulgada há pouco pela associação que representa os interesses da categoria:

A ABAP – Associação Brasileira de Agências de Publicidade, reitera sua crença na evolução dos processos licitatórios de contas públicas, alicerçados na melhor técnica e na apresentação de propostas apócrifas.
A ABAP, preocupada com a antecipação dos resultados na recente concorrência da Petrobrás, coloca-se à disposição da comissão de Licitação para contribuir com o aperfeiçoamento e transparência do processo em curso, visando proteger os interesses das agências suas associadas, sejam elas vencedoras ou perdedoras da licitação
.”

Os homens de publicidade talvez devessem considerar que representam um negócio relevante. Um segmento da economia que emprega milhares de pessoas e cuida da reputação de marcas. Reputação é coisa séria.

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1 comentário

  1. Prezada Marili,
    Realmente reputação é coisa seríssima.
    E poderíamos elencar a gravidade da situação no que pertine a gestão de recursos públicos,
    mas creio que seria inócuo, uma vez que há interesses inenarráveis, sorrisos pálidos e discursos preparadíssimos justificando quetais.
    Não por acaso, lembro daquele trecho do Wilde, (embora noutro contexto) porém, perfeitamente cabível: “O amor que não ousa dizer seu nome.”
    E que nome. E que amor. E que sobrenome hein!
    Bravíssimo senhores!
    A Platéia, outra vez, aplaude.

    Resposta

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