Um mercado a perder de vista

As grandes capitais brasileiras parecem incapazes de absorver mais automóveis. Mas, ao se projetar o mercado potencial de consumo a partir do índice atual de posse de bens levantado pela empresa de pesquisa Ipsos, 61% das famílias ainda não têm carro na garagem. Ou seja, há um imenso mercado a ser atendido.

Na Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), essa constatação não chega a ser novidade. A entidade registra que hoje existe um veículo para cada sete habitantes no Brasil, o que, pelos padrões globais, é considerado um baixo índice de motorização. Nos EUA, já é um para um.

Impressão similar se repete em relação às TVs de plasma ou LCD. Shoppings, bares da moda e até cabeleireiros exibem fartura de aparelhos do gênero para entreter os clientes. Fato que a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) reforça ao divulgar que 45% dos 9,6 milhões de televisores vendidos em 2009 eram modelos nessa tecnologia. Mesmo assim, os aparelhos com telas de plasma ou LCD estão em apenas 6% dos lares brasileiros, segundo a pesquisa Ipsos. Logo, está aí outro enorme mercado a ser abastecido.

“O Brasil tinha um sério histórico de distorção na distribuição de renda, o que inviabilizava o desenvolvimento do mercado interno”, diz Denis Ribeiro, diretor do Departamento de Economia da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). “A densidade econômica atingida pelo País independe do governo que vier a se eleger. A tendência é o Brasil persistir nessa rota de crescimento, o que é ótimo para os negócios.”

MAPA DO CONSUMO

O que torna o Brasil tão atraente aos olhos de fora é o enorme potencial do mercado. O levantamento do índice de posse de alguns bens e serviços feito pelo Ipsos a pedido do Estado tem base em dados de pesquisas com 37 mil entrevistas feitas em, 2009 em nove mercados (São Paulo, Rio, Recife, Salvador, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte e Curitiba).

Entre os resultados encontrados estão que só 47% dos consumidores têm computador. Somente um terço contrata serviço de televisão paga. Já quando o assunto é educação, 12% cursaram a universidade e 15% dos entrevistados conseguem ler, compreender e falar inglês.

“Somos, indiscutivelmente, um mercado promissor para os negócios, mas, para ele se desenvolver, depende de condições atreladas ao desempenho da economia, ao aumento de renda”, diz Daina Ruttul, diretora da divisão Ipsos Marplan, responsável pelo estudo.

A expectativa de crescimento da economia e também da classe C anima empresários como o presidente da Eletros, Lourival Kiçula. “O índice de penetração das máquinas de lavar louça é de 46%. Somos ainda um mercado muito jovem.”

O mercado nacional tem campo de amadurecimento até mesmo nas áreas onde parece quase totalmente abastecido. Os brasileiros têm 176,7 milhões de celulares, segundo dados divulgados esta semana. Ou seja, dá a impressão de que a categoria está coberta. Mas Luis Minoru Shibata, diretor de consultoria da PromonLogicalis, acha que há muito a ser feito.

“No Brasil, o mercado de dados via celular (que engloba desde os serviços de troca de informações curtas SMS, fotos MMS, e acesso a 3G para internet) representa aproximadamente 11% da receita total gerada para as operadoras de telefonia celular. Nos mercados mais sofisticados, como EUA e Japão, por exemplo, esse número já está na casa dos 30% e 40%.”

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