As contribuições para o blog enviadas pelo publicitário Rui Piranda, da agência Giovanni+DraftFCB, sobre suas experiências em Cannes Lions 2010, são sempre agradáveis de ler, ainda que eu não tenha tido tempo de pô-las no ar, quando me enviou. Assim, aqui estão elas, são sempre bem para quem gosta do tema propaganda:
Responda rápido: você prefere merchandising no meio da programação ou comercial de TV?
Não vale dizer nenhum dos dois porque você trabalha no ramo. Esse foi o assunto da rede de agências Digitas. Confesso que achei a dramatização do ringue de luta de boxe um pouco “over”. É teve disso. O Mark Beeching, o chefe criativo da Digitas, colocou Nick Cannon, rapper e ator, e Gavin Polone, produtor famoso, para brigarem. Cada um tinha que defender um lado. Foi meio metalinguagem: entretenimento no meio do seminário de marketing para discutir marketing no meio do entretenimento. Pegou?
O merchandising no meio da novela e das Anas Marias Bragas da vida já são nossos conhecidos no Brasil. E a gente ainda tem longos minutos de comercial de tevê (não estou reclamando, só constatando). Mas esse assunto veio parar aqui em Cannes por conta do TiVo. A tal tecnologia que permite ao espectador pular o comercial.
Pois é, se ninguém vê o comercial, o anunciante não anuncia. Se o anunciante não anuncia, quem paga a conta? Lembra? Não existe almoço grátis. O que está acontecendo é um show de merchandising no meio do drama. A coisa rendeu 45 minutos do tempo de gente muito cara. O tal rapper, por exemplo, defendeu o comercial (ele também vive disso).
Pelo visto, a coisa não vai se resolver nem tão cedo. Mas passe a reparar: as séries americanas estão da vez com mais cenas de cozinha, cerveja e snacks. Tudo com a marca aparecendo. Qualquer hora (não vai demorar) vão nos obrigar a colocar escrito na tela: INFORME PUBLICITÁRIO.
É difícil acompanhar as palestras do oriente. Mas eu gostei.
O inglês deles não é bom. O tempo de apresentação deles é diferente. Mas o conteúdo dos seminários apresentados pela agência Dentsu e pela indústria de roupas Uniqlo foi bem legal.
O tema da Dentsu era Tokio Innovation e eu destaco um case de exploração das ruas de Tokio. Sabe como isso acontecia? Caçando borboletas virtuais pela cidade. Funciona assim. Você baixa um aplicativo para o seu iPhone. Depois é só você apontar ele para a rua e pronto. Você vê borboletas e… pode capturá-las. Basta fazer o gesto de quem está lançando a rede e pronto. A borboleta aparece no seu visor. São diverso tipos e desenhos para você colecionar. Você ainda pode presentear borboletas para os seus amigos. Ah… as borboletas ainda oferecem descontos em produtos e serviços. Milhares de pessoas participam da caça e colecionam. Parece bobo. É bobo. Mas também é bem muito interessante.
O tema da Uniqlo era: From Tokio to The World. Como vocês podem ver os japoneses vieram para promover seu país. A Uniqlo é uma loja superlegal de roupas. Quem não conhece, vale apena dar uma checada no site. As roupas têm o corte simples, os tecidos são muito bons, eles investem em novos materiais e as cores são espetaculares. A identidade visual é superestruturada e comanda todas as comunicações da marca. Eles apresentaram seus manuais de marca, campanhas e coleções anteriores e a nova campanha Uniclock que coloca no site 24horas de música e dança. Toda vez que você acessar o site aparecerá alguém dançando. Ok… durante a madrugada às vezes aparece os dançarinos dormindo (sério).
Cultura diferente, cases diferentes. Bom para fazer a gente olhar para outras direções.
