Cola em Silvio Santos o que funciona em Lula?

Foto publicada no blog Porca Mandioca

A decisão de pôr o patrimônio do próprio grupo como garantia para obter o empréstimo sem juros do Fundo Garantidor de Crédito (uma instituição privada) não foi a primeira escolha de Sílvio Santos. Corre entre os que acompanharam os momentos iniciais que o empresário-apresentador foi pressionado para tal. Ele, como excelente camelô que sempre foi, queria empurrar o imbróglio do gigantesco rombo em seu banco, o Panamericano, para o governo. Teria sido barrado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Se esse bastidor procede, ou não, cabe a história revelar. Se vier à tona agora pode pôr por terra toda a estratégia que vem sendo montada para manter intacta a imagem do animador de programas de auditório.

Sua mulher, a agora novelista Íris Abravanel, declarou em entrevista ao Estado que “a integridade de meu marido não foi e nem será abalada. Ele é um homem de palavra e sempre foi cumpridor de suas responsabilidades”. Era o principal recado que tinha para dar. Mas ela também arriscou, na mesma conversa, lembrar que negociar com o marido não é tarefa fácil. “O Silvio é um excelente argumentador. É muito difícil você conseguir ganhar uma discussão com ele, praticamente impossível”. Se isso é verdadeiro, o que teria feito o marido ceder à pressão, apesar de sua lábia, e, simplesmente, não deixar o banco falir, como aponta o histórico em situações similares? Foram feitas inúmeras auditorias e ninguém radiografou a gravidade do quadro. Pior, o governo, através da Caixa Econômica Federal, virou sócio do Panamericano.

Enredo de novela

Os capítulos desse enredo talvez só venham a aparecer metamorfoseado em alguma novela da pena da senhora Abravanel. No momento, o que se comenta entre os “formadores de opinião” é o fato de Sílvio Santos estar realmente investindo em resguardar sua imagem, talvez para evitar prejuízos nos outros negócios do grupo, sendo o mais visível a rede de emissoras de televisão SBT. Nesse empreendimento, Sílvio também depende da simpatia do governo. Administrar uma tevê é atividade privada, mas a concessão para operá-la é pública, outorgada de forma renovável por 15 anos.

O momento de especulação sobre o destino do Grupo Sílvio Santos enfraquece a imagem futura das empresas da holding e abre margem para todo tipo de negociação, desde descontos polpudos para os anunciantes permanecerem na grade de programação da emissora, até a ameaças de afiliados na transmissão do SBT ao verem uma oportunidade de ganhar vantagens. Sílvio Santos terá que usar muito bem sua poderosa lábia de camelô para superar o atual cenário nebuloso.

Paralelo com Lula

Depois do presidente Lula, talvez a figura de maior apelo popular no País seja mesmo o Sílvio Santos. Nunca um assunto tão árido, como é o caso dos trâmites financeiros, ocupou tantas páginas de jornal e revistas. Nunca houve tanta preocupação em se explicar detalhes do que está acontecendo para o grande público. Na imagem de Lula, dizem os analistas políticos, nada pega. Na de Sílvio Santos, que vai operar negociações no âmbito privado, o efeito pode não ser o mesmo.

Especialistas em gestão de imagem corporativa dizem que a dissociação da imagem do dono com a de sua empresa pode não ser tão fácil, porque há uma identificação muito grande da figura bem sucedida com o comando do negócio. Se ele é o responsável quando tudo anda bem, logo, a sua figura não passa despercebida quando anda mal… A tática do não punha os pés no Panamericano poderia funcionar para o Lula, que passou incólume por todas as denúncias de corrupção em seu governo. Há quem suspeite que o mesmo recurso não tenha tanto sucesso com Sílvio Santos.

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2 Comentários

  1. Ermes Lucas

     /  16/11/2010

    Amigo não tem defeito, inimigo se não tiver a gente coloca. Essa máxima popular já foi comprovada por estudos científicos da Psicologia Social. É essa a explicação do poque nada cola em Lula e também não vai colar em Silvio Santos. O povo gosta deles e, portanto, eles não tem defeito e nunca terão.

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  2. illow Didow da Silva

     /  17/11/2010

    Só para você “postar” meu comentário, não estarei insinuando nada, apenas relembrando a cronologia dos fatos, se não falhar a memória. SS encontrou-se com Lula durante o episódio Ronaldo/Corinthians e fechou contrato de quase 30mi por três anos; poucos dias depois a CEF comprou quase 40% do Panamericano que já “estampava” parte da camisa do Corinthians; Ike Batista ha alguns meses havia comentado de sua intenção de entrar nos segmentos de hotelaría e financeiro; Ike participou de um leilão de altos lances na companhia da Sra. Marisa Silva e, não por isso foi um dos maiores financiadores pessoais de Dilma que já era amigo desde os tempos (pouco) do pré-sal da Petrobrás; – “Eu tería pensado assim: já que vou entrar no sistema financeiro, o que sería melhor que começar sendo sócio da CEF? Vou falar com Meireles e o Silvio”. Esta ultima parte sería, caso eu fôsse o empresário.

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