Suicídio involuntário & público


Cena recorrente na curta vida de Amy

Sai antes do show terminar. Era constrangedora a degradação a que se submetia aquela menina no palco na sua apresentação em São Paulo. Alcoolizada, drogada ou que fosse, Amy Winehouse vinha se suicidando e isso, ao contrário de seu talento como intérprete, estava vendendo. Havia enorme expectativa sobre o seu próximo descontrole. Descabelada, de peitos de fora, era assunto de primeira página.

A própria mãe veio a público endossar que se tratava de uma “morte anunciada”. Não só ela, aliás. Embora na boca dela soe mais cruel. O que mais ouço e leio nas redes sociais e a tal “obviedade” da morte da cantora.

Essa morte em praça pública provoca a inevitável constatação: não havia socorro possível para essa jovem? As clínicas de reabilitação, os terapeutas renomados, a indústria farmacêutica com sua parafernália de medicamentos indutores da felicidade, enfim, ninguém tinha nada a oferecer?

As reportagens publicadas até agora não exploram essa ineficiência dos recursos da ciência para combater vícios e fraquezas de personalidades conturbadas como Amy. Ela poderia ter superado seus dramas pessoais, inseguranças e medos. Todos, com ou sem talento, passam por isso em algum momento da vida. Inclusive as divas do soul com quem foi comparada. Etta James e Aretha Franklin, por exemplo, seguem vivas.

Em vez disso, a mídia incensa a blague marqueteira que enaltece “a sina de jovens mortos aos 27 anos vítimas do sucesso e das drogas”. Morte de celebridade gera lucro. Tem glamour. Que o digam os tabloides de Murdoch.

No afã de atrair a atenção, aliás, não faltam artigos e análises sobre o potencial de Amy, que superaria tal ou qual fulana. Que seria melhor do que sicrana. Frases feitas. Frases de impacto para simular consternação. Para que serve isso? Amy Winehouse caminhou para a morte com todos assistindo a esse reality show de fim dramático e sabido. Nada foi feito. Triste sociedade essa nossa.

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7 Comentários

  1. Desculpe, mas quem não quis ser ajudada foi a própria Amy. Deixou isso muito claro cantando Rehab. A dependência química(nome chique para vício) pode ser vencida, como muitos vencem, mas o primeiro passo tem que ser dado pela própria pessoa. Amy queria viver as drogas e viveu. Foi coerente consigo mesma e morreu, simples assim. Desperdiçou um grande talento e grandes oportunidades, as quais muitos dariam tudo para ter.

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    • Marili Ribeiro

       /  24/07/2011

      Tendo a concordar com você. Só acho que ela era muito jovem e, talvez, não tivesse tanta clareza assim sobre o precípicio para o qual estava caminhando. Jovens tendem a achar que com eles será diferente. Assisti a algumas entrevistas e, nelas, ela não parecia uma suicida. Parecia sim uma perdida. É aí que acho que os recursos desenvolvidos pela sociedade contemporânea poderiam ajudar. Como você bem colocou, tem gente que sai dessa barafunda.

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  2. Diogenes da Lantterna

     /  24/07/2011

    Jamais, por nenhum motivo, deve-se banalizar a morte de um ser humao. No caso específico da Amy, excetuando-se os familiares e os fãs, esta jovem nunca produziu ou enviou menssagem positiva sôbre nenhum tema, para a humanidade. Talvez a sua morte precoçe seja o maior legado seu para a juventude, explicitando o que não se deve fazer.

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  3. Roland

     /  24/07/2011

    Acho incrivel como a midia aborda de maneira tão diferente 3 assuntos atuais, ou seja: 1º Amy prioridade absoluta e exagerada; 2º Noruega noticias esparsas e vagas; 3º fome do povo da Somalia – ignorancia total.
    Geralmente ouço dizer que a midia sempre prioriza noticias ruins porque só elas “vendem”. Dizem que noticia boa “não vende”. Que coisa absurda. Mas mesmo nas noticias ruins ainda tem outro fator preponderante – o sensacionalismo, e nisso sem dúvida o tema Amy ganha estourado. Mas logo logo ninguem mais lembra dela.

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  4. Mariana

     /  25/07/2011

    Por que ao invés de culpá-la você não tenta ser menos ignorante e tenta compreedê-la como uma pessoa que tinha muito para falar e pedia socorro? É muito mais fácil né? Mania de brasileiro. E por mais que fosse uma “obviedade”, garanto que se fosse uma filha sua afundada no mundo das drogas, nessa situação, você realmente esperaria esse fim. A tua dor é tão grande quanto se estivesse de fato esperando.

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  5. Gabriela

     /  25/07/2011

    Essa questão do vício em drogas envolve muitas coisas. Geralmente, as pessoas não optam por usar drogas e sim são seduzidas por elas. Opção requer um estado de consciência ao qual deve-se ter muito conhecimento sobre algo e saber dizer NÃO em um meio onde todos ou quase todos seus amigos usam não é fácil, pois na juventude principalmente queremos ser incorporados a um grupo e fazer o que eles fazem.
    O que vai diferenciar de quem vai para o sepulcro, ou não, é uma predisposição orgânica para o vício, o tipo de vida que se tem e o lugar, quem está a sua volta, situações da vida e até mesmo a personalidade da pessoa.
    Não é tornar o viciado vítima, mas infelizmente depois de um certo estado, como o de Amy, tem que internar a força mesmo. É assim. A pessoa não tem condições responder por si. É uma demência induzida.
    Possivelmente,dentro da cabeça de Amy,ela já sabia que havia sido vencida pelas drogas.

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  6. soraya ursine

     /  27/07/2011

    Ainda ontem falei a amigos, sobre a questão, e me perguntei como podem deixar morrer uma jovem de 27 anos? Para mim ela morreu por falta de amor! Triste ate mesmo para os fas, que diziam adora-la tanto! Triste para o show business que ainda vende esta formula antiga! Fabricar mitos, é enfim destruir pessoas! Nao diria que foi um suicidio, diria que foi um assassinato!

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