Quem vai vender sabão: Carminha ou Nina?

        A pérfida Carminha, impagável na interpretação de Adriana Esteves, ou a rancorosa Nina/Rita, vivida pela atriz Débora Falabella, vão disputar a venda de sabão nos intervalos comerciais no período pós-novela? Faz parte da rotina das novelas que caem no gosto do público provocarem esse tipo de demanda.

        Mesmo com o cachê das atrizes subindo às alturas quando viram protagonistas de sucesso – em especial na Rede Globo que ainda lidera o horário nobre -, as marcas e seus publicitários correm atrás delas, para pegar carona no rescaldo das imagens que agradaram à plateia.

        Que o diga a chata Griselda, encarnada pela boa atriz Lília Cabral, na última novela das 21 horas. Fora da cena principal, a atriz reforça o seu cofrinho nos intervalos com a propaganda do detergente Ypê, em que diz ter sentido “firmeza” no produto. Uma óbvia referência ao caráter probo do tal “Pereirão, marido de aluguel” a quem deu vida. Griselda vivia dando lição de moral. Já a descompensada perua Tereza Cristina (Cristiane Torloni), sua rival, não teve chance. Foi relegada ao fogo do inferno no gosto popular.

       Na atual novela, entretanto, as duas protagonistas são más. Um drama para as marcas que querem posar sempre do lado do bem.

 Matriz matemática

        A tática de usar protagonistas em evidência nem sempre funciona bem para os anunciantes, embora as agências gostem de apostar no apelo. A lembrança da novela gera atração espontânea. Porém, pode também soar deslocada, se os tiques do personagem não estiverem bem contextualizados.

        Fora isso, é recurso fácil na categoria de consumo de massa, onde o faturamento e o porte das empresas asseguram cachês que podem passar de R$ 100 mil para um comercial que ficará em cartaz por algumas semanas. Valor fictício, já que é impossível formar juízo sobre o valor, tal o número de variáveis que esses contratos contemplam. Eles podem oscilar de R$ 5 mil até R$ 500 mil.

        Nenhuma das duas protagonistas da novela, que vem emplacando a melhor audiência da emissora no horário nos últimos dez anos, é exemplo passível de ser absorvido pelas marcas com facilidade. Os senhores publicitários vão ter de suar a camisa para achar saídas eficientes ou divertidas. A ver. Deixo minha opinião, prefiro Carminha. Ela seria ótima vendendo vassouras. Com tanta maldade, só falta mesmo voar. Que seja, pelo menos, no intervalo comercial.

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