Like não é nada! Imagina se fosse…

 “Like (o curtir que virou indicador da interação no mundo online) não é nada!”. Essa frase síntese de Luiz Lara, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Apap), dita em resposta a uma singela pergunta na antevéspera da abertura do V Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação, calou fundo. Será mesmo?

Na programação do evento, que pretendia posicionar a relevância do segmento na cena atual e discutir o futuro dos negócios da propaganda e prestação de serviços de marketing para os anunciantes – que os contratam – me surpreendeu. 

Havia no evento, justamente, falta de discussões sobre como monetizar o mundo das redes online. Afinal, os anunciantes vão aonde a audiência está. O resto, é conversa para boi dormir ou tese acadêmica. O público, definitivamente, está online, apesar de os românticos insistirem na sobrevivência das velhas mídias, como o jornal impresso (nos EUA, por exemplo, jornais regionais já deixam de circular diariamente para reduzir custos e mantêm versões online).

Os organizadores trouxeram o bispo sul-africano Desmond Tutu e até mesmo o atual presidente da Suprema corte brasileira, ministro Carlos Ayres Britto, para falar sobre “liberdade de expressão”. Bacana. Mas a dita, não está mesmo sob ameaça no Brasil. Ou está? O risco, talvez, esteja mesmo no fato de os consumidores se ocuparem dando likes nas atividades de seus amigos ou congêneres em redes sociais. E isso poderia ser interpretado como uma efetiva ameaça aos negócios das agências de propaganda, já que lhes tira a liberdade de impor o que a audiência deve ver. Ranço do universo offline.

Contradições

Duas semanas antes do V Congresso, estava em pauta o tão ambicionado IPO do Facebook (a venda inicial das ações em Bolsa de Valores). Diante disso, a pergunta que fiz tentava contextualizar sobre como lidar com esses novos donos dos negócios da comunicação: Google e Facebook.

O primeiro já aparece em ranking do setor entre as três maiores empresas de comunicação global por faturamento em 2011, abaixo apenas de gigantes como são os grupos americanos Comcast, NBC & Universal e ainda Walt Disney Company. Nessa lista, aliás, surge até a Rede Globo (na 25ª posição).

Já o IPO do Face estreou com recorde de preço da ação para, logo em seguida, enfrentar um gigante fracasso com queda, também recorde, de valor da ações. Ou seja, endossa o que todos já sabem ao seu respeito: ninguém aprendeu a lidar com a fluidez do universo conectado às redes sociais, embora a audiência ali esteja.

Blábláblá para cima, blábláblá para baixo, o que salva no balanço final do congresso, diante da leitura das teses aprovadas, é mais uma tentativa de manter alguma reserva de mercado para as agências garantirem seus faturamentos e, os profissionais do meio, o emprego. Fora isso, vale registrar que foram justamente os homens que nada falaram sobre o negócio da comunicação que ganharam  mesmo projeção na mídia: Tutu e Ayres Britto apareceram nas matérias para além das publicações do trade publicitário.

Quanto às limitações comerciais na internet, que como dizem os entendidos, fica cada vez mais palpável diante do “fracasso” do Face no mercado acionário, não houve muito avanço, mas merecia mais análise.  Nesse contexto, Luiz Lara da Abap pode ter razão e um like vir a ser nada. Por enquanto, é cedo para apostar. Vou  então aproveitar e dar uns likes no que os amigos andaram comentando e exibindo em suas páginas na web.

  

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