Em tempos de web, inveja não mata. Empata.

        O ator Washington Olivetto sai de cena no fim de semana. Mas o popular publicitário segue despertando cobiça entre seus pares. Quando o comercial que protagoniza para o Bradesco – um dos maiores bancos do país e que recentemente entrou para o portfólio de sua agência, a WMcCann – entrou em cartaz, a reação na web foi imediata. As manifestações críticas à sua performance somaram 50% dos comentários nas redes sociais. Lógico, os inimigos soltaram farpas. Mas os amigos também correram em socorro. Afinal, em tempo de internet, nada se controla e a célebre frase de Nelson Rodrigues perdeu sentido já que não há, definitivamente, mais unanimidade.

        Descolado depois de mais de quatro décadas de serviços prestados à propaganda nativa, Olivetto não esconde seu farto ego. A seu favor, tem uma doçura rara entre os profissionais do meio. Fora que, com certeza, é um dos últimos exemplares de sua espécie, a dos publicitários pop star. As novas gerações não atingem a projeção da anterior em mais um dos efeitos da era digital no mundo da comunicação.

        Olivetto foi parar na propaganda do Bradesco por sugestão da área de marketing do banco. Na semana passada, foi festejado pelos corredores da sede do banco do ascensorista à diretoria. Já o gerente que contracena com ele na propaganda, não é real. É ator de verdade. Alguém tinha que ser. Procurado pelo Blog, Olivetto não fugiu às perguntinhas:

Como é protagonizar um comercial a esta altura da vida?     

Fiz alguns comerciais para entidades de classe e causas sociais. Fiz anúncio quando assumi a vice-presidência da Democracia Corinthiana. De produto, fiz uma única vez antes, para uma campanha da Hering e a pedido Fábio Hering. Mas eu não era um dos protagonistas (participaram Gilberto Gil, Jorge Bem Jor entre outros). Como protagonista, foi a primeira vez. Quando o pessoal me convidou, minha preocupação é de que fosse uma iniciativa boa para o Bradesco, numa preocupação até egoísta, porque se não fosse, no médio prazo boa, seria ruim até pra agência. Uma vez identificado que seria bom, a questão foi tomar coragem, porque atuar definitivamente não é algo no qual eu seja bom.

Por que resolveu correr o risco de enfrentar críticas, afinal a concorrência não iria deixar barato? 

Quando cheguei à conclusão de que era bom para o cliente, vi que seria bom pra mim e para agência. Não tenho problemas com críticas, desde que  verdadeiras e assumidas. Os poucos elogios são simpáticos e assumidos. E as muitas críticas que vi nas redes seguem a tendência das redes, nas quais a autoria não é assumida ou não é verdadeira, então eu não levo a sério. Eu faço o que os outros que se preocupam comigo fazem, que é me preocupar comigo.

Por que no Brasil usa-se tanta celebridade em comerciais? Falta repertório cultural à audiência para se ousar além de um rosto famoso?  

Não é verdade que o Brasil seja o país que mais usa, historicamente é os EUA, que são os inventores das celebridades no bom e no mau sentido. O Brasil é um dos que mais usa sem pertinência. O que me deu coragem de fazer o comercial, e posso dizer porque a ideia não foi minha, foi a pertinência. A pertinência do comercial não é ele ter sido feito comigo, mas ter sido feito por um publicitário que é tido como o mais famoso do país, tido como o mais criativo e tido como o mais competente etc… e que no imaginário das pessoas deve achar isso de si mesmo; e fazer uma peça no qual pareça que ele está se auto-referendando, quando, na realidade, está referendando outra coisa. Busco que me levem a sério, mas nunca me levo a sério.

Qual o balanço que faz de mais essa experiência: garoto-propaganda do mais popular banco privada do país?  

Foi um grande barato porque é justamente a minha praia. Sou louco por cultura popular, e ter feito um comercial para o banco mais popular é uma maravilha. Foi muito gratificante e, a despeito das críticas, tive manifestações muito simpáticas de várias pessoas que prezo, presidentes e diretores de marketing de várias empresas. Por outro lado, tem o garçom, o frentista, a recepcionista que vem falar comigo, elogiar e falar que me viu na TV, o que é outro grande barato e prova de que estamos fazendo a coisa certa.

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5 Comentários

  1. silvana destro

     /  07/06/2012

    Marili querida, esse filme é mais uma peça das “bizarrices” do mercado publicitário. Nem o banco, nem ele e tampouco o mercado precisavam desse constrangimento.

    Responder
  2. Quer dizer que alem de bagulho e profissional meio boca, essa Silvana ainda por cima é
    palpiteira.
    Menos mané, menos.
    Jorge

    Responder
  3. O raciocinio da pertinencia é perfeito.
    Justifica o fato de o “ator’ não ser um bom ‘ator’.
    Ser o criador. E indicutivelmente um grande criador.

    Responder
  4. Daniela romano

     /  08/06/2012

    Marili querida, otima entrevista. So falatava essa no curriculo do Washington. Beijos e beijos, Dani

    Responder

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