É hora da ética na anarquia online

No jornalismo digital a hora é de pôr ordem na anarquia online. É sabido, desde os idos tempos, que quando tudo se mistura, a credibilidade sai chamuscada. Quem respeita limites, acaba na vala comum dos que querem apenas tirar rápido proveito da situação. E, depois, os bons pagam pelos pecadores. Algo que proliferou no mundo dos blogs. Há dez anos, algumas consultorias previam que a busca de filtros nesse ambiente seria inevitável. Nos primórdios da era da conexão, parecia desnecessário, tal o encantamento com a liberdade embutida na internet.

O tempo passou e os limites se impõem. Dois movimentos nessa direção deram as caras nas últimas semanas. A turma dos Blogs de Turismo criou a Associação Brasileira de Blogs de Viagem (ABBV), que vem a ser a primeira entidade oficial da categoria na América Latina.  E, com a ambição  de garantir a credibilidade do marketing via internet, gigantes desse mundo virtual – Google, Facebook, Twitter, AOL e Interactive Advertising Bureau  (IAB) – se associaram e fundaram a Ads Integrity Alliance para reduzir a quantidade de propaganda de má qualidade, ou spams, na web.

Separar alho de bugalhos

Os autores dos blogs de turismo que se uniram em torno da ABBV explicam  que a associação “busca o fortalecimento dos blogs de viagem como principal fonte de informação para quem quer viajar”. Para tal, criaram um estatuto com princípios de conduta ética e profissional desses sites. “Com o aumento significativo do número de blogs de viagem, a ABBV ajuda a construir parâmetros de profissionalização”. Para o leitor identificar os associados será exibido um selo na home e na página de expediente ou de contato do blog.

 Com nove sites que somam juntos uma audiência de 2,6 milhões de pageviews e 1,1 milhão de visitas únicas por mês (Abrindo o Bico, Conexão Paris, A Janela Laranja, Jeguiando, Matraqueando, Sundaycooks, Uma Malla pelo Mundo, Viajando com Pimpolhos e Viaje na Viagem), seus autores perceberam que precisavam se distanciar dos que misturam canais e comprometem os resultados do que publicam.

 Falsas melisseiras

O alerta sobre má conduta se acentuou com a crescente onda de blogs de moda, ávidos por emitir opinião paga em troca de publicidade ou mera boca livre em festas e afins. Algumas situações acabaram sendo desmascarados nas redes sociais, justamente pela falta de autenticidade das opiniões emitidas sobre produtos recomendados pelos blogueiros de moda, caracterizando uma ação comercial, no estilo propaganda enganosa.

Com a tag #melissafail, que ganhou destaque no Twitter noccomeço do ano, a ação publicitária da sandália de plástico gaúcha mereceu sérias críticas. O fabricante levou blogueiras de moda para conferir a inauguração de uma loja Melissa em Nova York. As moças rasgaram elogios ao produto. Porém, e há sempre um porém, elas não só não usavam o calçado, como costumavam ser críticas sobre a marca, chamando-a de ‘porcaria’. Os conhecidos denunciaram e a história virounum tititi no mundinho fashion.

Segundo dados do Google Insight, a busca por “blog de moda” cresceu 2.275% nos últimos cinco anos — mil vezes mais do que as buscas por todos os termos da categoria Moda. Daí porque a repercussão de falta de credibilidade ganha importância. Algumas blogueiras têm milhares de visitantes únicos por dia. Os anunciantes vão atrás e blogueiras cobram cerca de dois mil reais por uma simples menção positiva à marca.

Hora de construir as melhores práticas

A associação moralizadora do meio online, que acaba de ser criada pelos gigantes da era digital nos EUA, tem como projeto preparar um documento que defina e classifique a má publicidade na rede. Com base nisso, vai compartilhar com os associados as informações sobre quem estiver povoando a internet com publicidade falsa e anúncios prejudiciais aos consumidores.

“Nenhuma empresa individual ou agência de aplicação de Lei pode, sozinha, eliminar esses maus atores de toda a web” , declarou Eric Davis, gerente global de políticas públicas do Google, no próprio site da companhia. A melhor forma de resolver os problemas comuns a uma rede altamente interconectada é fazer com que a indústria trabalhe unida, construa as melhores práticas e sistemas, compartilhando informações. Ou seja, ponham ordem no atual chiqueiro.

 

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3 Comentários

  1. Anônimo

     /  20/06/2012

    Marili, vc foi a fundo verificar se eles são éticos mesmo?
    Deveria pesquisar um pouco mais.

    Resposta
  2. Maria Carlota Carvalho

     /  20/06/2012

    Já sou fã do Abrindo o Bico, Conexão Paris e do Viagem na Viagem. A oficialização desses blogs só engrandecem e valorizam tanto o trabalho de vcs profissionais qto dos que viajam, nós que realmente pesquisamos muito antes de fazer qualquer deslocamento. Desejo sucesso e evolução sempre.

    Resposta

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