Nus, pero no tanto, só para fotógrafo ver

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Há exibicionismo. Sim, sempre. Ou para chamar atenção em si, ou porque essa onda ainda se revele parte de algum movimento e/ou campanha promocional. Afinal, repararam que todos os corredores sem roupas, seja pela avenida Paulista aqui em Sampa, seja pelas ruas gaúchas, têm os corpitchos bem em ordem? Tanto os que já vieram a público justificar o “ato de desespero” (sic), como os que foram recolhidos pela Polícia por dito “problema mental”, apresentam boa aparência.

Por que tirar roupar ainda pode ser apontado como ato de protesto? Ainda mais no Brasil, onde andar seminu é quase rotina. Basta ir a praia, assistir aos desfiles carnavalescos, navegar pelas páginas online. Então, a pergunta que não quer calar é: por que os peladões causam tanto mimimi?

Existe um falto puritanismo no ar. Ficar nu em público já deixou de ser tabu faz tempo. E isso, em esfera global. Basta uma desculpinha e o homem se livra das vestes. Deve ser atávico! Afinal, porque todos atendem de pronto o chamado do fotógrafo Spencer Tunick, famoso por convencer pessoas a tirarem suas roupas coletivamente em um espaço público por um motivo só: posar para as suas lentes? E as moças ucranianas do Femen que põem os seios à mostra (quase sempre lindos!) para protestar – pelo quê mesmo? Ah e tem a turma que entra em campo em pleno rolar da bola – esses, geralmente, menos afortunados na forma física – para atazanar a vida do time de futebol contrário. Enfim, ficar pelado já deveria ter perdido à graça, mas ainda causa furor. Cada vez menos, é bem verdade.

Caso contrário, o que justifica o insucesso das convocações que ameaçam levar multidões e resultam em fracassos retumbantes. A primeira foi as das exibicionistas cariocas que convocaram a população, através do Facebook, para um toplessaço, tinham confirmadas mais de 8 mil pessoas na Praia de Ipanema (RJ), na altura do Posto 9. Só seis moçoilas comparecerem. Era um protesto por alguém ter sido incomodada por mostrar os peitos na praia.

Depois da série de nudez em público em Porto Alegre, a Polícia Civil de lá disse que vai monitorar as redes sociais em busca de atos marcados por simpatizantes dos pelados. Um deles está convocando, também pelo Facebook para o ato Correr pelado/a em Poa. Já teria quase 10 mil pessoas confirmadas. A ver.

Enquanto isso, quem gosta mesmo de ficar peladão e não está nem aí para os holofotes, tem espaços legalizados para curtir a bundinha ao léu. Mais de 20 anos depois de começar a ser frequentada por nudistas, a Praia de Abricó, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, foi reconhecida oficialmente pela Prefeitura da cidade como área de naturismo. Até então, havia uma resolução da Secretaria Municipal do Meio Ambiente do Rio, de novembro de 1994, que autorizava a prática. Agora, uma lei entrou em vigor determinando que fica permitida a prática do naturismo nos limites daquela praia e que o poder público fará o que for necessário para manter a segurança e a ordem, inibindo abusos. O lugar, lógico, pode ser frequentada por pessoas vestidas. Mas não é aconselhável, já que tem mais de 7 mil km de costa no Brasil para exibir os biquínis e maiôs, certo?

Um adolescente chamado Brasil

pesquisa Ipsos Da infinidade de dados com que os pesquisadores do Ipsos podem se deleitar na hora de projetar estudos sobre o Brasil, um instigou ilações sobre o atual cenário nacional: 68% dos jovens da chamada nova classe média do País têm escolaridade mais alta do que seus pais tinham. Visto assim, apenas como um frio número, parece até pouco expressivo. Quando contextualizado com outros elementos estudados na coleção inédita que o instituto pretende implantar analisando os caminhos que o Brasil traça, esse dado conceitua uma personalidade adolescente para o país. Fato ganha expressão em ano eleitoral e, de certa forma, ajuda a explicar a intensa oscilação na atual disputa presidencial.

“O Brasil vive uma crise de valores entre herança e mudança”, diz Flavio Ferrari, diretor do Ipsos. Tatuar o corpo para exprimir compromissos sociais, usar a mídia social de forma tão intensa como se faz por aqui, bem acima da média de muitos países para compartilhar conteúdo, e participar de protestos, como os que ocorreram recentemente e se esparramaram em ações como até os famosos “rolezinhos” em shoppings, são alguns dos elementos simbólicos da atitude adolescente. “Faz parte dessa busca da própria identidade. Algo como estar a procura de si mesmo”, pondera Ferrari.

A jovem democracia nativa começa a se consolidar apoiada ainda em várias contradições. Há uma sociedade, com maior escolaridade, que se posiciona como moderna na ponta de consumo, porque corre atrás de todos os modismos anunciados na internet, mas que, por outro lado, ainda se comporta de forma conservadora. Basta ver o crescente número de evangélicos e a disparidade de discurso entre os que se dizem simpáticos aos direitos LGBT e o que efetivamente aceitam a aprovação de leis igualitárias para os pensam formas de famílias diferentes dos moldes tradicionais.

Todos esses indicadores são considerados no Ipsos Flair Brasil, lançado com o codinome “Brasil 2015, Crítica e Progresso”, que reúne artigos de 23 experts da companhia que avaliam aspectos da cultura brasileira e registram a contestação não só política, mas também as consequências de como um nível de maturidade maior dessa nova classe média leva ao questionamento da autoridade.

A rebeldia adolescente faz com que esse novo consumidor se comporte como um adolescente contestador, apartidário e disposto a questionar a autoridade. Não é de estranhar que influencie na hora de votar. Nos últimos dados divulgados da pesquisa eleitoral do Ibope, 73% do eleitorado que vai às urnas não têm partido preferido e 67% opinaram que debates tiveram ataques demais. A cada porrada que os presidenciáveis distribuem na telas da tevê, os eleitores, em especial os da nova classe média – essa que começa a se ilustrar e ter acesso a crédito e consumo – se espanta e muda de posição. “O povo brasileiro está mais exigente e isso vai se retratar também na forma de votar”, acredita Lawrence Mills, um dos especialistas que analisou o comportamento da classe emergente no estudo.

Para 2015, esse país adolescente vê reduzir o grau de otimismo em que sempre pautou o espírito da nação. Ou, pelo menos, as pesquisas sempre difundiram como inerente ao comportamento nativo. “O consumidor está mais crítico, acabou o inocência de um país criança”, pondera outro analista do Ipsos, Dorival Mata-Machado. “Nesse cenário, o ano que vem se desenha tenso. Haverá muita movimentação. O adolescente muda rápido de opinião e, como somos um país adolescente, enfrentaremos muita oscilação”.

A dificuldade de definir quem ocuparia a cadeira presidencial foi um aperitivo desse comportamento que deve se ampliar daqui para frente. O que se viu na disputa eleitoral é tendência. A disseminação de ideias e opiniões nas redes sociais ajuda – há cerca de 76 milhões de usuários no Facebook (abaixo apenas, da Índia e dos EUA); 41 milhões no Twitter (apenas atrás dos EUA); 38 milhões de usuários no WhatsApp; e 58 milhões de vídeos assistidos no país por mês através do YouTube. É muito canal e muita gente que aprendeu a ter voz querendo se expressar.

A era é digital, a urna eletrônica, mas a eleição ainda se ganha na TV

Timeline no Face da página dos candidatos à presidência da República 2014

Timeline no Face da página dos candidatos à presidência da República 2014

Esqueçam o discurso efusivo do domínio do universo online na vida moderna. Sim, a sociedade nativa mostra apetite para as plataformas digitais. Mas as eleições se decidem mesmo é na Globo. Ou melhor, no último debate antes de se cerrarem as cortinas para os registros dos votos nas urnas eletrônicas. Foi assim nesse acirrado primeiro turno.

E não é a primeira vez que a história se escreve por aqui. Lembram de Collor versus Lula? O esperto metalúrgico ruiu ante o ardiloso caçador de marajás. Com quase 21 pontos de audiência, além de enorme repercussão no dia seguinte – e ai, sim, potencializado pela audiência online –, o debate deu um novo rumo ao jogo político e mostrou que a comunicação, no Brasil, ainda depende, e muito, da mídia televisiva, por mais que seja libertador imaginar que, no online, o espaço do debate para as ideias seja ampliado ao infinito.

Aécio Neves, o candidato do PSDB, que no atual pleito chegou a parecer fora do jogo quase que abandonado à própria sorte, não esmoreceu e seguiu no jogo, mesmo sendo dado como certo uma disputa entre duas mulheres, Marina Silva, respaldada por uma coligação partidária, e Dilma Rousseff do PT. Mas, depois do debate na emissora família Marinho, mudou o jogo.

Seu desempenho frente às câmeras foi festejado e reconhecido pelos eleitores. Analistas lhe atribuíram um papel de protagonista em cena. Resultado, ele deu um salto e cresceu 9 pontos nas sondagens informais, chamadas de tracking pelos profissionais dos institutos de pesquisa. Uma tendência que se confirmou nas urnas. Marina, a preferida até então para enfrentar o PT, que já vinha caindo nas pesquisas, despencou. Sua imagem de fragilidade diante das câmeras contribui enormemente para isso. Vários depoimentos colhidos por repórteres mostram desistência de eleitores por acharem que ela não tinha condições de gerir o País. Caso citado no Portal da TV Folha pela jornalista Daniela Lima: “Uma eleitora de Marina me contou que, depois do debate, mudou de voto porque ela estava tão fraquinha, magrinha e rouca que desistiu de votar nela”.

Em que pese o discurso animadinho da turma que vê nas redes sociais a força revolucionária capaz de influenciar a cabeça do eleitor, ainda não está nela o poder de definir o comandante em chefe do país. Se assim fosse, Marina estaria na disputa com Dilma, e esta, aliás, talvez jamais despontasse nas pesquisas à frente dos concorrentes.

Os números recentes nas páginas do Facebook dos candidatos, a rede de maior audiência entre os brasileiros, – e mesmo depois da avalanche que pôs o neto de Tancredo Neves no segundo turno – não endossam as urnas. Aécio totalizava 2,179 milhões curtidas em 07/10. Marina, que, inclusive, num determinado momento ficou entre as páginas mais acessadas num ranking global de políticos do próprio Facebook, ainda mantém à frente na preferência do mundo digital, com 2, 275 milhões de curtidas. E isso, mesmo fora do segundo turno. Já a presidente Dilma segue na lanterninha, com apenas 1,361 milhão de curtidas.

Quem entende de comunicação sabe, entretanto, que nessa história de redes sociais há esquemas definindo crescimento orgânico e pago, sendo este último patrocinado por robozinhos programados a soldo, para fazer “bombar” páginas de marcas, celebridades, e, lógico, políticos. Qualquer marqueteiro põem em prática esse “índice de sucesso”.

Mas, se as redes sociais são manipuláveis em seus resultados, debates ao vivo e a cores não são, mesmo que os discursos sejam ensaiados à exaustão em infinitos e incontáveis treinamentos com os assessores. E, pelo visto, o povo gosta dessa prova dos nove para decidir seu voto. Pelo menos, a audiência paulistana, o maior colégio eleitoral do País. O embate na noite de (03/10), com os sete presidenciáveis, além dos três mais bem posicionados, o pastor Everaldo, Levy Fidelix, Luciana Genro e Eduardo Jorge , foi recorde na categoria, mesmo tendo avançado pela madrugada em suas quase três horas de duração (exibido das 22h50 às 01h20).

E, nem mesmo o traquejado jornalista Willian Bonner conseguiu passar ileso no controle das estripulias, oportunismos políticos e agressões entre eles e teve dificuldades em conter os candidatos. Foi, talvez, o debate mais solto que a emissora transmitiu em seus 50 anos de domínio do cenário político televisivo.

O resultado foi sentido nas urnas no dia 05/10. As plataformas de comunicação se multiplicam. O mundo fica cada vez mais conectado. Todos opinam. Mas nada substitui a emoção e a reação espontânea diante do que não foi ensaiado. Eleitor saca o improviso.

Cena de filme de terror nas asas da Malaysia

Avião Malaysian
Foto: Reprodução/Facebook/Cor Pan

Primeiro veio uma grande explosão. Depois começaram a chover corpos. Teve cadáver que atravessou o telhado”. Parece descrição de cena de filme de terror de segunda linha. Mas não é. Trata-se do relato de moradores que vivem na região Donetsk, no leste da Ucrânia, próxima à fronteira com a Rússia, aonde o avião da Malaysia Airlines despedaçou no ar, espalhando passageiros nus por campos de trigo e de girassóis. Panorama inimaginável.

São imagens fortes o bastante para impressionar por longo tempo. E vão aumentar o rombo na imagem da companhia. E isso, independentemente, de se considerar que a aeronave tenha sido abatida por um míssil guerrilheiro e não tenha sofrido mais um acidente aéreo. Com uma contabilidade de prováveis 298 mortes, que vão se somar aos 283 desaparecidos misteriosamente em acidente da mesma empresa em março deste ano, a Malaysia rompe com lei das probabilidades estatísticas, que considera ser improvável que dois aviões da mesma empresa sejam protagonistas de grandes tragédias no mesmo ano.

A maior prova de que os estragos de imagem para a Malaysia Airlines já estavam incomodando ficou registrada na mensagem irônica postada na página do Facebook de uma das vítimas, sete horas antes do acidente fatal. O holandês Cor Pan publicou foto do avião em que embarcaria com a legenda: “Se ele desaparecer, é assim que se parece”. O que seria brincadeira virou trágica realidade e acabou compartilhada milhões de vezes, além de ter motivando a criação de outra página, na mesma rede social, em solidariedade ao autor caído. Resultado, o que já estava péssimo para a imagem da empresa, conseguiu ficar ainda pior com força da multiplicação espontânea online.

O avião viajava de Amsterdã para Kuala Lumpur e caiu em uma região que está sob o controle de milicianos separatistas pró-Rússia em confronto com as forças governamentais da Ucrânia. Uma situação complexa que ainda vai render muito assunto, fora a drama vivido pelas famílias das vítimas.

A recuperação do impacto será tarefa árdua para uma companhia que erra a mão na comunicação com a sociedade. Os resultados financeiros do primeiro trimestre mostraram prejuízo de 100 milhões de euros. Entre os fatores estão à queda na compra de passagens. Na China, principal mercado da Malaysia e berço da maioria dos ocupantes do avião desaparecido em março, as vendas haviam despencado estrondosos 60%. Imagine o que vai acontecer agora. E, desta vez, com grande números de holandeses envolvidos.

É aconselhável que a empresa área comece a tomar providências. E rápido. O criticado atendimento aos parentes das vítimas do outro acidente causou enormes estragos. Não será diferente com corpos caindo do céu.

Falta ginga, mas sobra RP. Uma aula

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Simpatia, quem diria, se soletra em alemão na festejada como a mais calorosa das Copas do Mundo graças ao espírito acolhedor do povo brasileiro. Sim, porque eles mostraram fora do Maracanã porque mereceriam a glória dentro do reverenciado templo do futebol nacional. E tudo começou já no desembarque, quando escolheram a Vila de Santo André (BA) para se instalarem. Lá conheceram os índios Pataxós. Rolou um clima de empatia. Os jogadores aprenderam a “dança da sorte” com estudantes da Escola Indígena Pataxó de Coroa Vermelha e fizeram o ritual em treinos no campo de futebol. Surpresa, sob o olhar encantado do mundo após a dura batalha contra a Argentina, repetiram a coreografia aprendida tendo ao meio a Taça conquistada pelo tetracampeonato no sagrado solo do estádio carioca. Reverência aos ancestrais desse País.

Bastaria. Mas não. Foram bem mais longe. Na tarde da disputa final, veicularam nas redes sociais um vídeo de agradecimento pela acolhida por aqui. Arriscaram até desajeitadas frases em português e, desta vez, dispensaram o uso de música de fundo do repertório nacional. Talvez como forma de evitar problemas como o com a mulher de Caetano Veloso, que encrencou com uso indevido de Tieta em outro filme compartilhado por eles sobre a convivência com os habitantes na Vila de Santo André. Episódio chato. Mas contornado com elegância. Tiraram o vídeo do ar. Uma pena ainda mais agora que são campeões do mundo!

Em outro gesto de simpatia no dia derradeiro, bem no final do jogo, a comissão técnica exibiu camisa com a inscrição nas costas: “Obrigado Brasil pela Copa maravilhosa“. Sem dúvida, ganharam ainda mais adesão ao movimento que já rolava nas redes sociais: “Como não torcer por eles?” E isso apesar de terem sido os algozes do selecionado brasileiro (o fatídico 7X1). Além, lógico, de terem fama de frios e não serem os reis da ginga social.

Essas sacadas provocaram entre profissionais de marketing um alerta sobre a necessidade de estudarem o caso. Com razão. A Federação Alemã de Futebol (Deutscher Fußball-Bund – DFB) fez um trabalho de ponta em matéria de Relações Públicas (RP) em tempos de mídia online. Usaram os recursos disponíveis para cativar exposição positiva espontânea com suprema habilidade. Reportagens sobre o assunto, publicadas em jornais e sites, já explicam que as ações foram estruturadas com antecedência, quando equipes vieram fazer o reconhecimento da área aonde os jogadores iriam se preparar. Além dessas, que contam com grande plasticidade e significado, a Federação Alemã de Futebol doou €10 mil para a tribo Pataxó que os acolheu.

Mais um detalhe precioso: o funcionário da Federação que cuida há quatro anos, com esmero e competência do conteúdo exposto nas redes sociais sobre o selecionado alemão, é o jornalista de origem judaica Roy Rajber. Para um país que tem uma passagem histórica difícil com o povo judeu, há também certo simbolismo nesse fato. Nascido em Munique, de família israelense, Rajber comentou à Folha de São Paulo o fato de um judeu ser hoje responsável por divulgar uma boa imagem alemã para o mundo: “Meus avós são sobreviventes do Holocausto. Nasci e cresci na Alemanha, e o fato de hoje eu trabalhar para a seleção alemã diz tudo sobre a vida dos judeus na Alemanha atual”.

Há seis meses, investidores alemães compraram um terreno na Bahia, onde construíram um hotel, um centro de saúde, um campo de futebol e uma estradinha para interligar esse pequeno universo. A Federação deles não trouxe funcionários alemães, contratou pessoas da cidade. Quando a seleção chegou treinou duro, como se espera da fama associada à rígida disciplina alemã, mas, nas horas vagas, os jogadores se socializaram com a comunidade local. Participaram de festas e até vestiram a camisa do Bahia, time da torcida da região. Mais ainda, diante da vitória escandalosa contra o Brasil, no intervalo do jogo, eles combinaram diminuir o ritmo para não “humilhar a seleção anfitriã”. Nada de tripudiar. Depois, declararam que seus ídolos são os jogadores brasileiros do passado. Parte do que foi erguido na Bahia ficará para a população da cidade. Já o centro de treinamento denominado Campo Bahia continuará funcionando como condomínio cujas casas serão vendidas e funcionará no sistema de condomínio-hotel.
#comonãotorcerparaeles?

FOTO 1 Clic do momento dança Pataxó feito da televisão por Maria Helena Souza
FOTO 2 Foto de Léa Penteado na Vila de Santo André (BA), onde os alemães deixaram saudades

Parados, sim. Mas crescendo em brasilidade

Dirceu Rodrigues Paulista 16h45 BrasilXColombia foto Dirceu Rodrigues

Daqui a pouco o País para. Basta ver a foto acima, feita por um amigo da mais paulista das avenidas, durante o último jogo do Brasil. Passada a euforia virá à crítica sobre as perdas econômicas com a falta de atividade nesses dias de Copa do Mundo. Não há como rebatê-la. Os atentos moços das estatísticas jogam as contas na casa dos muitos bilhões de reais. Há quem contabiliza 12 outros 16 dias parados. Com isso, a economia perderia a injeção de 17 bilhões a 32 bilhões de reais. É uma contabilidade baseada em projeções. O que não vendeu, o que não produziu. Seja como for, ninguém contesta que negócios deixam de ser feitos. Mas, bem nesse ponto me pergunto: será que outro negócio também não se constrói com toda essa paradeira? Quanto vale o sentimento de brasilidade crescente, que é um ativo intangível e que ganha holofote?

Isso fora o ganho em termos de imagem para o Brasil. A promoção da imagem do país que a mídia global está dando ao país com intermináveis imagens, textos e vídeos da alegria made in Brazil, não tem preço. E isso, com todo o drama retratado pelas obras incompletas e as dificuldades de mobilidade que a imprensa local martelou sem qualquer dó ou paixão. Não é que o Brasil tenha passado por uma metamorfose súbita na Copa. Os dias parados promovem de certa forma o conceito embutido no tal ócio criativo tão difundido pelo sociólogo italiano Domenico De Masi. Afinal, ele é uma experiência harmônica e única, que proporciona sempre uma melhor readaptação para todas as necessidades da sociedade proporcionando mais alegria.

De Masi classificou os modelos de civilização encontrados hoje no mundo: o norte-americano e seu “fundamentalismo do consumo” e o fundamentalismo árabe em sua exagerada devoção à religião. Para o escritor há extremos em ambos: “enquanto o primeiro modelo é rico em recursos, o outro vive na mais completa
Miséria”. O terceiro modelo que ele aponta é greco-latino, que exalta a comunicação entre as pessoas, a alegria e a sensualidade. Seria a cultura do equilíbrio. Pronto, o Brasil parado vive em sua intensidade à cultura do equilíbrio para Di Mais. Então que as ruas fiquem vazias e que a pátria vista chuteiras, ainda que por algumas horas.

Sim, os problemas virão. E não serão poucos. Em entrevista na Folha de São Paulo o cientista político Jules Boykoff, professor da Pacific University, nos EUA e estudioso do impacto das Copas e das Olimpíadas nos países-sede, fala em Capitalismo de Celebração. Upa! “Celebração é um estado de exceção, em que regras normais são suspensas, e a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos são celebrações. O que ocorre durante esse período é que o público paga enormes quantias para realizar os eventos, e as empresas é que saem com os lucros. Ou seja, o dinheiro do contribuinte é direcionado para esses eventos e, depois, os políticos afirmam que é necessário apertar os cintos, implementar medidas de austeridade, cortar programas, porque todo aquele dinheiro foi gasto”.

Que venham as contas. Com ou sem futebol, é o povo que sempre vai pagá-las.

O inesperado que conta a favor

Timing e estratégia bem armada são oportunidades essenciais no mundinho do marketing. Saca melhor, como nos tempos do faroeste, que saca primeiro. Essa característica associada ao inesperado conspira a favor. Lógico, tudo sempre depende de como a ação será interpretado pelos fãs. Tendo a achar que, em função do infortúnio que se abateu sobre o ídolo em pleno campo de batalha, a tendência é encarar o singelo e até óbvio comercial de forma afetuosa. Ponto para o Santander e seus marqueteiros.

O banco pôs no ar, exatamente um mês antes do acidente (03/06/2014) que tirou Neymar da Copa do Mundo 2014, um vídeo onde alguns simpatizantes do atleta tinham sido convidados a enviar mensagens de força para ele. Durante as gravações, esses fãs foram surpreendidos pela presenta do próprio atacante da seleção nos bastidores. A reação ao encontro renderam bons minutos de emoção. É isso que o filme releva, o impacto desses segundos. Boa sacada, embora não excepcional até pelo fato de não ser inédita. Gravar mensagens de estímulo é um recurso usual.

A assinatura da peça publicitária é Força Neymar! e já atingiu mais de 1,7 milhões de acessos até o momento. Ganha embalo extra agora. Afinal, não só a turma do marketing do Santander e o mundo – com destaque para os 200 milhões de técnicos em ação por aqui – estão como os escolhidos pelo banco em sua campanha, desejando força e, lógico, pronta recuperação. A Copa termina sem Neymar. Mas a mensagem permanece.

Copa do contra e da falta de requebro

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Falem o que falar. O gol contra vai fazer história na Copa do Mundo nos domínios do pentacampeão. Nunca antes na participação brasileira nesse evento houve fato similar. Pelo menos é o que estão apregoando os especialistas. Com o desastrado chute, a carreira do lateral-esquerdo Marcelo – que joga no Real Madrid e está em campo pelo selecionado nativo – sofre um abalo. Nada que não seja superado e ainda possa gerar lucro e dividendos. Lá na concentração, relações públicas e publicitários já devem estar negociando táticas para lidar com o infortúnio com o empresário do atleta. Para todo o mal há um remendo. E isso vale até mesmo em tempos cibernéticos, movidos a redes sociais, que elevaram a proporções gigantescas a repercussão, as piadinhas e a produção de memes em torno do gol Croata metido na rede pelo brasileiro Marcelo.

Ter as atitudes corretas em um momento tão delicado pode resguardar a credibilidade da imagem do jogador e evitar desgastes. Ao disseminar informação em tempo recorde, a era virtual promove uma intrincada rede na qual há perda de controle sobre o que é dito e como é dito. Para reputações é maquiavélico. Marcelo sempre será lembrado pelo gol contra na tão ansiada Copa das Copas, que tinha o papel de promover o protagonismo brasileiro no cenário mundial. Há pouco mais de 10 minutos de jogo, o jogador marcou o futebol nacional para sempre. Minutos depois, o fato era o assunto mais comentado do Twitter, os chamados Trending Topics.

Fora a animação das torcidas, em especial a brasileira, a estreia da Copa não foi assim uma Brastemp. Embora a eletrizante tensão das manifestações de junho do ano passado tenham ficado para trás, permanece uma insatisfação que vai além dos interesses partidários imediatos com a próxima eleição presidencial. A Copa começou num astral bem menos radiante do que projetava a euforia de se ter o campeonato realizado por aqui. E muita coisa conspirou contra no dia de ontem (12/06). O espetáculo de abertura, criado pela coreógrafa belga Daphné Cornez e dirigido pelo italiano Franco Dragone, definitivamente não agradou. Já sobram críticas mundo afora quando a festa é comparada às últimas edições. O estádio do Itaquerão merecia melhor sorte em sua inauguração na cena global.

O momento da música tema foi ainda mais irritante pela falta de sintonia entre a cantoria saída das bocas de Claudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull, e o estridente playback. Espanto ampliado no País do samba no pé, ao se assistir ao requebro desajeitado das artistas-cantoras sobre a bola pirotécnica posta no meio do estádio. Sorry, não foi só o lateral Marcelo que deu azar. A marca Brasil não saiu fortalecida. E isso num setor que detém reconhecida excelência: o festejado o futebol. Dos 11 garotos titulares da Seleção, apenas um ainda joga na Brasil.

A bola vai rolar e o País fica como sempre esteve

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Na Farmácia Buenos Aires, enquanto aguardava para ser atendida no começo da semana, vi um lindo garotinho envergando a camisa 10 da seleção. Cena rara até às vésperas da tão ambicionada Copa do Mundo em terra brasilis. Naquele ambiente, assim como nas ruas, os torcedores andavam envergonhados, sem bandeiras, trajes verde-amarelos ou qualquer quinquilharia típica de torcedor. Cheguei a achar que o clima de insatisfação com o atual estado da coisa pública, sentimento explicitado à exaustão nas manifestações de junho passado, haviam realmente deixado um gosto amargo na boca da população e iriam esvaziar o ufanismo pátrio típico desses eventos. Em especial, porque, desta vez, a Copa vem associada à intensa guerrilha partidária pela cadeira presidencial. Porém, nada parece sufocar o Brasil de chuteiras.

A rebeldia, depois de os vândalos tomarem conta das ruas em ataques descontrolados a tudo e todos, tinha tudo para acabar em pizza. Pareceram exageradas reportagens que divulgavam o movimento de empresas em reduzir exposição de suas marcas com medo de comprometerem a imagem das companhias. Soou até mesmo como mais uma tática para ocupar espaços de mídia e chamar ainda mais atenção junto ao público.

É lógico que o medo de protestos violentos paralisou muitos num primeiro momento. Só isso justifica um garotinho solitário envergar a camisa da seleção a menos de 10 dias da estreia da Copa. Agora, o incomodo vai sendo superado e calçadas, postes, janelas, carros e até cachorros estão se enfeitando. Vai ter Copa e o Brasil permanecerá como sempre esteve. Nada muda em um mês. E o tal legado não inverte um comportamento tão arraigado na cultura de um povo, como é o celebrado estímulo ao jeitinho. Ou alguém tem dúvidas que os atrasos nas obras não se dariam como estão se dando, com tapa buraco de última minuto?

Copa Marili RibeiroComo o inevitável se impõe, a ordem é comemorar o possível. Quem pagou caro para faturar a festa entrou no clima. A Brahma resolveu assim amplificar a campanha que pretende levar o clima da Copa para fora dos estádios. Algo na linha do que, na Europa, recebeu o nome Fan Fests, realizadas durante as Copas de 2006, na Alemanha, e de 2010, na África do Sul. Durante a transmissão dos jogos, eventos aconteciam em locais badalados e ofereciam atrações com apresentações de artistas internacionais. No Brasil, a iniciativa coube à empresa líder do mercado cervejeiro Ambev ,que é dona da marca Brahma.

Serão 14 Arenas Brahma distribuídas em sete cidades do País como no Morro da Urca, no Rio de Janeiro, ou no Marco Zero, em Recife. Aqui em São Paulo haverá dois espaços de comemorações, um no Jockey Club e outro no Estádio do Morumbi, que ficou fora das disputas do mundial.

A indústria cervejeira, assim como outras companhias, não se intimidou com os números divulgados sobre a aprovação de protestos contra a Copa, que indicavam quase 50% de apoio da população até o começo do mês. Lógico, que a situação foi abrandada com a clara a mudança de atitude na cobertura jornalística.

Quando a conhecida teoria da espiral do silêncio – usada em análises de comportamento da opinião pública – ganhou corpo, governo, anunciantes e veículos de comunicação correram para mostrar os encantos do campeonato de futebol. A tal espiral, iniciada por aqueles que no espaço público são capazes de proliferar a percepção que se torna socialmente mais aceita, estava atrapalhando os negócios. Era tempo de tirar o bode da sala. Emissoras de televisão, TV Globo à frente, puseram suas equipes nas ruas para angariar simpatia. Deu resultado. O País perdeu a vergonha de se colorir de verde e amarelo.

Celular inteligente para todos

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Quem não tem Steve Jobs, para fazer todas as micagens necessárias que garantiam atenção global da mídia nos lançamentos da empresa, recorre ao charme que está ao alcance de seu bolso. Para lançar a linha de smartphones a preços mais populares (em relação ao top de linha do mercado), a Motorola apelou para o velho e bom evento de relações públicas. Juntou em São Paulo cerca de 170 pessoas entre jornalistas, blogueiros e clientes, num espaço amplo e repleto de pequenos ambientes. Dessa forma todos puderam passear sem pressa e manusear os aparelhos, assim como esclarecer dúvidas e até entrevistar os executivos da companhia, ao vivo, ou em pequenos grupos. No final, foram mais de 50 entrevistas. Haja folego, em especial porque as perguntas quase sempre se repetem. Não é só ídolo/ator de novela/ jogador de futebol que sofre, não. Homens de negócios também. Alguns, é verdade, gostam.

No Brasil, o encontro de lançamento da nova linha de celulares foi realizado no Estúdio Glória, em Pinheiros. Quem esteve por lá pode conversar com presidente da Motorola, Rick Osterloh. Depois de perder mercado alucinadamente para a pesada concorrência da Samsung e Apple, e de ser comprada pelo gigante Google que, aliás, vendeu para chinesa Lenovo, no começo deste ano, a companhia tenta conquistar um segmento de mercado. Pelo que foi dito no evento, vai atacar os compradores que ainda não tenham um smartphone, ou então os que tenham comprado um sem qualidade. “Entre as pessoas que têm um telefone celular, 70% têm um celular tradicional sem conexão à internet, sem vídeos, entre outras coisas. Ainda temos 2,1 bilhões de pessoas no mundo que sequer têm um telefone móvel”, andou repetindo Osterloh aos jornalistas que o questionaram.

A Motorola apresentou a 39 países, agora em maio, os aparelhos Moto E em versões com suporte a dois chips e TV digital. O aparelho de entrada custa R$ 530 e a versão mais turbinada, com dois chips e TV digital, R$ 600. Com o mote publicitário “Made to last. Price for all”(algo como “vendido a preço de custo”), o Moto E não esconde ao que veio: tornar os dispositivos móveis inteligentes acessíveis até mesmo à turma do Bolsa Família. “Acreditamos que o acesso a dispositivos móveis deve ser um direito e não um privilégio”, prega o presidente da Motorola.

A diretora de Comunicação para a América Latina, Luciana Vedovato, explica que a companhia trabalha com o time global para definir estratégias de lançamento nos mercados em que atua: “A Motorola foi pioneira em fazer eventos reunindo blogueiros e jornalistas para anunciar seus produtos. Até 2010, os lançamentos eram feitos em sessões diferentes para estes dois públicos. Com a popularização e profissionalização dos blogs, a empresa decidiu reunir blogueiros e jornalistas em um só evento. Esta fórmula deu tão certo que, desde 2013, inovamos e estamos fazendo um evento único para jornalistas, blogueiros, e os principais clientes e parceiros de negócios”.

Eu não diria que a empresa “inovou” nessa tática de chamar atenção misturando plateias, já que Jobs vinha fazendo isso há anos. Montava um circo nos EUA e levava convidados do mundo inteiro, além de gerar uma intensa boataria sobre o que seria lançado para “espetacularizar” ainda mais a sua apresentação. Ganhava com essa tática espaço espontâneo na mídia e, após o evento, filas colossais nas suas lojas. O perfil marqueteiro de Jobs foi fator que colaborou e muito para o sucesso comercial da Apple. No mundo da tecnologia, ninguém dúvida, esses encontros se tornam necessários por conta da tecnologia embarcada. É preciso dar esclarecimentos minuciosos. Hoje em dia e cada vez mais, os celulares são computadores de mão.

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